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Youtube Extra Large, em nome da acessibilidade e imersão

Youtube Extra Large, em nome da acessibilidade

O Youtube tem uma versão em tamanho gigante, o Youtube XL, que prima por letras e vídeos em tamanhos mais acessíveis. O layout é elementar, desprovido de publicidade e de muitas funcionalidades de sua versão padrão, e tem como alvo as telas grandes e usuários do Sony PS3 e Nintendo Wii, para uma experiência mais imersiva. Funciona como player automático de seleções de vídeos. Bom para festas. :)

Longe de ser uma comparação física, claro, mas Daniella Cicarelli, nesse factóide do vídeo (coisa que brasileiro adora, assim como adorou quando Zeca Pagodinho trocou de marca de cerveja), me lembrou demais o caso de Leonardo Pareja.

Antes de entrar no assunto objetivo deste post, a primeira impressão que tive quando vi o vídeo foi que ela é um péssimo exemplo para grande parte do público feminino jovem. Não por ter transado em uma praia paradisíaca com um garotão sarado (normal, natural e recomendável), mas… alguém viu alguma camisinha em cena? Eu não vi.

Pareja começou a vida de crimes aos 16 anos e foi assassinado aos 22. Em 1995, durante um cerco policial que pretendia capturá-lo, ele fez de refém, por 61 horas, uma jovem adolescente. Foi um dos maiores acontecimentos midiáticos (que termos horríveis) da década de 90. Ao final, ele se entregaria à imprensa e a um juíz. Soube manipular direitinho a sede de sangue e de heróis proscritos do público.

Preso, usou todo o poder da atenção que recebia da imprensa, inclusive em uma rebelião no Centro Penitenciário e Agrícola de Goiás, em 1996. Aproveitou-se do mesmo ânimo de mídia que Daniella Cicarelli sempre usou, assim como qualquer outra grande estrela. No caso dele foi sobrevida ou a morte prematura, no caso dela tem sido a vida inteira.

Agora, surge a notícia de uma liminar que proíbe a exibição do vídeo nos diversos sites em que foi publicado. Isso me leva a dois desdobramentos lógicos.

O primeiro remete a Sharon Stone, quando decidiu que não queria mais a atenção da mídia e se deu mal. A mídia também começou a não dar bola e ela voltou atrás. Cicarelli vive de factóides. Ela é linda, mas não é um talento único, precisa de Ronaldos, cenas de ciúmes, casamentos de três meses e transas na praia. A MTV está satisfeitíssima com a projeção, alguns anunciantes caíram fora, mas eles voltam, tudo depende do produto a ser vendido – quem vende santinho pode vender bordel, a grana é a mesma ou talvez melhor. Negar-se à atenção, pode levá-la ao ostracismo na mídia. Uma Sharon Stone tupiniquim que um dia chorará novamente pelos holofotes.

A segundo desdobramento me leva ao fato de que, assim como Leonardo Pareja, Cicarreli cometeu um crime em público. Demarcadas as devidas proporções, enquanto um ameaçou uma vida, outro atentou contra o pudor. Todo homem sabe disso, abra suas calças em público para fazer xixi no pé do muro que o risco de pegar uma cadeia leve é certo. Buline sua namorada dentro do carro que os dois podem ir dormir no xilindró.

É estranho um juíz proibir as imagens do vídeo sob a alegação de uso indevido de imagem. Seria mais lógico processá-la por uso indevido de espaço público. Ou será que eu, como frequentador de praias, vou ter, a partir de agora, que fechar meus olhos para não ferir a intimidade alheia quando um casal achar por bem dar uns amassos mais picantes ao sol e ao vento?

Ela não estava dentro de casa, ela estava no mundo. No mundo ela é de domínio público, para ser louvada como apresentadora da MTV ou observada como mulher saudável. Ela que esconda o que deseja escondido, não eu que cegue para o que está à minha frente.

Não conhecia na íntegra. Pesquisei por um motivo que agora me parece totalmente fútil, o problema das comunidades racistas no Orkut.

É um discurso que tem todo o mérito por ter entrado para a história; cadenciado, emocionante. Serve para todas as situações em que a discriminação é regra.

O vídeo vai de brinde, não é necessário, o texto diz tudo.

Lindo de fazer chorar.

Eu tenho um sonho (28/08/1963)

“Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchado nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.

Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.

Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.

Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com “fundos insuficientes”.

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.

Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.

Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.

Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação voltar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente à nossa liberdade. Nós não podemos caminhar sós.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, “quando vocês estarão satisfeitos?”

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar.

Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de vocês vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de vocês vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhes deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Vocês são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixem caiar no vale de desespero.

Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livres. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

“Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!”

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouvir o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitirmos o sino da liberdade soar, quando nós deixármos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho epiritual negro:

“Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal.”

Fonte da tradução.

orkut.jpgHoje li várias matérias sobre o “fechamento” do Orkut. O Globo Online saiu com o título “Justiça fecha Orkut”, que mais tarde mudaria para o menos sensacionalista e mais correto “Justiça Federal manda o Google cancelar quatro comunidades do Orkut”.

A Rede Globo, no Jornal Hoje, tem uma matéria (em vídeo e texto) com o título “O Orkut pode acabar”. No Diário Online, Dojival Filho escreveu o texto “Impunidade no Orkut, em que diz que “o site não representa, necessariamente, um mal a ser combatido, mas carece de filtros que impeçam a atuação de criminosos. A posição da empresa também é indefensável. Nos divertiremos sempre com comunidades engraçadas do Orkut, mas, com as criminosas, jamais.”

Assim como essas, o dia hoje foi cheio, com matérias do Consultor Jurídico ao Barriga Verde (que aparentemente confundiu as bolas legal).

Em nenhuma delas foi abordado pontos que considero fundamentais para a discussão: o real poder da justiça de qualquer país sobre a internet e o que uma boa intenção – no caso a punição dos responsáveis por crimes de ódio ou apologia ás drogas – pode gerar para a liberdade de expressão.

A verdade é que não há, como cantaram os títulos mais sensacionalistas, como qualquer instituição judicial acabar com um site como o Orkut, hosteado em outro país e, portanto, imune a legislações locais. O máximo que a justiçaa brasileira conseguirá é fechar um escritório essencialmente comercial (como é o do Google Brasil) que não tem qualquer ingerência sobre o site (sequer técnica), e eliminar alguns postos de trabalho.

Os únicos com esse poder são ou o próprio Google, que pode decidir que o Orkut não lhe serve mais como negócio, uma possibilidade remota a tirar pela audiência e sucesso do site. Ou a justiça americana, que é quem tem alguma ingerência real sobre o site, já que é em território americano que os servidores estão instalados. Mas duvido de uma decisão dos EUA favorável à quebra de contrato de privacidade entre os usuários e o Orkut tendo como argumento os apresentados pela justiça brasileira. É bom lembrar que para eles, falar mau de negros, judeus, homossexuais ou qualquer outra minoria é tão juridicamente legal quanto falar bem. É um dos direitos estabelecidos na primeira emenda da constituição, que nem o congresso pode interferir. Ou seja, para a justiça americana, quem tem preconceito racial tem tanto direito quanto quem não tem.

A terceira hipótese nessa briga é, depois de uma guerra judicial, do fechamento de um escritório sem poder e de chegada à conclusão de que a internet não é jurisdição de um único país e portanto imune à boa parte das leis locais, o Brasil resolva tomar uma decisão unilateral e feche seus canais de comunicação com o Orkut via bloqueio de DNS. Só conheço dois casos parecidos: China e Irã, que não são propriamente exemplos de liberdade.

A intenção da justiça brasileira e dos grupos de cidadania envolvidos no processo contra o Orkut é boa. É uma luta fácil de compreender e fácil de mobilizar. Mas ela tem duas faces, a boa, que vemos agora, e uma ruim, que é a abertura de um precedente na quebra de contratos de privacidade e na eterna vigilância da comunicação na internet. Nada garante que, a depender de quem esteja do poder, um usuário do Orkut ou de qualquer outro serviço online seja passível de punição se falar mal de deputados, senadores, ministros ou do presidente da república, mesmo que com motivos sólidos para o “falar mal”. É bonito lutar contra o racismo, a homofobia ou a apologia às drogas, mas os ventos mudam. O que hoje é uma boa intenção, no futuro pode ser uma caça às bruxas e levar muita gente para o inferno.

A solução desse tipo de problema deve partir da própria internet; da mesma forma que um grupo consegue arregimentar centenas de pessoas para o “lado negro da forçaa”, é na internet que nascem grupos que podem combater no front oposto. Para cada comunidade de preconceito racial, as ONGs de proteção aos negros, homossexuais, etc. deveriam criar dez de combate e mobilizar gente, que, em última instância, é quem faz e regula a web.

Do ponto de vista legal, acredito que a solução é uma legislação própria para internet, que nasça nela, seja sem fronteiras como ela, regulamentada por ela e que as formas de punição estejam nela, com seu respectivo reflexo no “mundo real”. Mas isso não deve ser feito por um país, por uma linha de pensamento, por uma determinada postura política ou religiosa. Devemos começar a pensar a rede como território da ONU, sem fronteiras que é. Já é tempo de um conselho realmente internacional e multi-cultural para pensar a internet. Todos acham que ela deve ser regulada, mas todos também acham que ela é o melhor campo para difusão de idéias (sejam elas boas ou más) e, muitas vezes, campo de batalha da democracia contra a tirania. Está na hora de resolver esse impasse, ou cada vez mais vamos ver decisões unilaterais, parciais e totalmente inócuas.