Este é o título do livro que acabei de ver no Submarino. Escrito por Steven Carter e Julian Sokol, seu subtítulo é “como lidar com os homens com sabedoria e conseguir o amor que você merece”.

À primeira vista imaginei uma coletânea de dicas sobre carreira, profissão, saúde e cultura. Informações essenciais para uma mulher, como diz o título, inteligente. No final, descubro que não é bem isso, é um guia prático de como conseguir um bom homem, mantê-lo por perto, casar e viver feliz para sempre. O ideal da Cinderela.

O livro de Carter/Sokol não é o primeiro exemplo, ou mesmo um exemplo emblemático, de leitura feminina que não tem, no fundo, nada de feminista.

No site da revista Nova, por exemplo, dá para pinçar o seguinte:

  • Você terminaria um romance por e-mail?
  • 50 truques já-pra-cá de sedução
  • Descubra os remédios para curar o coração partido
  • 1001 idéias de sexo (“misturo gotas de óleo de amendôas no hidradante para aumentar a maciez da pele. Os homens viram gatos selvagens e querem me morder inteira”)
  • Imagine que você está a fim de encarar um relacionamento sério
  • Já passou algum apuro em um encontro às escuras?
  • Coisas de casal, entre agora no canal interativo de quem namora
  • Resolva seus dilemas amorosos com a ajuda de nossas editoras
  • Você descobre pelo signo do seu amor se ele é sua alma gêmea

De todos os links na capa, apenas um é relativo a outro assunto que não relacionamento: horóscopo financeiro. Isso mesmo, as leitoras da Nova investem baseadas na posição de Saturno e na conjunção de Vênus.

O machismo tem várias formas de manter-se escondido. A preocupação exagerada em relacionamentos, em como melhorá-los, em como transformar as mulheres em grandes amantes, em dicas de como conseguir um namoro ou de como se recuperar de um “fora”, é uma delas. É o homem como centro da vida feminina, é o homem como única possibilidade de felicidade e única fonte de tristeza. Para revistas do tipo e leitoras do tipo, ter um homem é um sinal de sucesso, mantê-lo feliz é um propósito de vida.

O livro deste post é o quarto na lista de mais vendidos do Submarino (Veja) na categoria auto-ajuda e esoterismo. Toda a luta feminista dos últimos quarenta anos culminou no sucesso de uma obra que ficaria muito bem na sala de jantar de uma casa de subúrbio na década de 50.