Longe de ser uma comparação física, claro, mas Daniella Cicarelli, nesse factóide do vídeo (coisa que brasileiro adora, assim como adorou quando Zeca Pagodinho trocou de marca de cerveja), me lembrou demais o caso de Leonardo Pareja.
Antes de entrar no assunto objetivo deste post, a primeira impressão que tive quando vi o vídeo foi que ela é um péssimo exemplo para grande parte do público feminino jovem. Não por ter transado em uma praia paradisíaca com um garotão sarado (normal, natural e recomendável), mas… alguém viu alguma camisinha em cena? Eu não vi.
Pareja começou a vida de crimes aos 16 anos e foi assassinado aos 22. Em 1995, durante um cerco policial que pretendia capturá-lo, ele fez de refém, por 61 horas, uma jovem adolescente. Foi um dos maiores acontecimentos midiáticos (que termos horríveis) da década de 90. Ao final, ele se entregaria à imprensa e a um juíz. Soube manipular direitinho a sede de sangue e de heróis proscritos do público.
Preso, usou todo o poder da atenção que recebia da imprensa, inclusive em uma rebelião no Centro Penitenciário e Agrícola de Goiás, em 1996. Aproveitou-se do mesmo ânimo de mídia que Daniella Cicarelli sempre usou, assim como qualquer outra grande estrela. No caso dele foi sobrevida ou a morte prematura, no caso dela tem sido a vida inteira.
Agora, surge a notícia de uma liminar que proíbe a exibição do vídeo nos diversos sites em que foi publicado. Isso me leva a dois desdobramentos lógicos.
O primeiro remete a Sharon Stone, quando decidiu que não queria mais a atenção da mídia e se deu mal. A mídia também começou a não dar bola e ela voltou atrás. Cicarelli vive de factóides. Ela é linda, mas não é um talento único, precisa de Ronaldos, cenas de ciúmes, casamentos de três meses e transas na praia. A MTV está satisfeitíssima com a projeção, alguns anunciantes caíram fora, mas eles voltam, tudo depende do produto a ser vendido – quem vende santinho pode vender bordel, a grana é a mesma ou talvez melhor. Negar-se à atenção, pode levá-la ao ostracismo na mídia. Uma Sharon Stone tupiniquim que um dia chorará novamente pelos holofotes.
A segundo desdobramento me leva ao fato de que, assim como Leonardo Pareja, Cicarreli cometeu um crime em público. Demarcadas as devidas proporções, enquanto um ameaçou uma vida, outro atentou contra o pudor. Todo homem sabe disso, abra suas calças em público para fazer xixi no pé do muro que o risco de pegar uma cadeia leve é certo. Buline sua namorada dentro do carro que os dois podem ir dormir no xilindró.
É estranho um juíz proibir as imagens do vídeo sob a alegação de uso indevido de imagem. Seria mais lógico processá-la por uso indevido de espaço público. Ou será que eu, como frequentador de praias, vou ter, a partir de agora, que fechar meus olhos para não ferir a intimidade alheia quando um casal achar por bem dar uns amassos mais picantes ao sol e ao vento?
Ela não estava dentro de casa, ela estava no mundo. No mundo ela é de domínio público, para ser louvada como apresentadora da MTV ou observada como mulher saudável. Ela que esconda o que deseja escondido, não eu que cegue para o que está à minha frente.
Hoje li várias matérias sobre o “fechamento” do Orkut. O Globo Online saiu com o título “Justiça fecha Orkut”, que mais tarde mudaria para o menos sensacionalista e mais correto “Justiça Federal manda o Google cancelar quatro comunidades do Orkut”.