Eu também quero refúgio na Europa

No momento em que escrevo este post, nove palestinos estão nos portões do Alto Comissariado das Nações Unidas Para Refugiados (Acnur) pedindo para sair do Brasil e irem para a Europa. Não suportaram a barra, segundo matéria a Agência Brasil em que você pode ler mais detalhes.

Em resumo, o problema é o seguinte: eles saíram da fronteira entre Iraque, Síria e Jordânia, ou seja, os portais do inferno, para vir ao Brasil pelo programa de proteção do Acnur. Não satisfeitos com o tratamento recebido no Brasil, agora tentam, literalmente, uma recolocação no mundo. Não os culpo, dadas as reclamações:

  • falta de assistência médica;
  • a ajuda de R$ 350 mensais do Acnur não é suficiente para sobreviver;
  • carga horária de 11 horas de trabalho que impede o estudo;

Ok, tudo bem, reclamações justíssimas, não fosse pela promessa da Acnur, plenamente aceita por eles, de que seriam tratados como brasileiros. Eu não sei qual piada é tragicamente maior: se o Acnur vender o Brasil como um paraíso com uma promessa do nível, que soa como uma ironia de péssimo gosto e dá margem a qualquer funcionário mais cara-de-pau soltar um “mas, meu senhor, estamos tratando o senhor como a qualquer brasileiro” e isso ser uma verdade; ou os palestinos comprarem a idéia de sair de um inferno para se meter em outro.

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