YouTube Bizarro: a família de Jonathan

Lembro claramente quando ganhei meu primeiro computador. Era uma tarde de 1985, por volta das 13:30. Eu estava jogando xadrez sozinho, estudando partidas enquanto esperava a Sessão da Tarde quando meu pai, depois da sesta, sai do quarto e do nada, sem explicação ou contexto, pergunta se eu gostaria de ganhar o computador visto alguns dias antes em uma loja da cidade. Depois da pausa de surpresa, o “quero!!”. Fomos, ele comprou e eu passei anos nas nuvens com o meu, e somente meu, MSX.

O cheiro quando abri a caixa daquele brinquedo novo, o plástico com bolinhas para estourar, a retirada cuidadosa do equipamento de dentro de um invólucro quase sagrado feito de isopor, papelão e desejo, ver aqueles tantos manuais que prometiam horas de diversão e depois montar, peça à peça, fio a fio, a materialização de meses de sonho, foi um dos melhores momentos da minha infância, que só se equivaleria à outras tantas horas que passei em cima de cavalos. Sempre tive grandes pais, fantásticos, bem diferente de Jonathan:

Na manhã de Natal, na hora de abrir os presentes, Jonathan rasga os primeiros pedaços do papel para descobrir que ali, em suas mãos, tem uma caixa de X-Box. O vídeo mostra a felicidade que toma conta dele, a mesma felicidade que senti quando comecei a abrir o meu primeiro computador e tantos outros presentes bacanas que ganhei na vida. Para uma criança é uma alegria mágica, é como se algo fosse alterado na estrutura do cosmos e o mundo de repente fosse apenas luz e cheiros especiais. O próprio mundo muda e só aquele momento - aquele delírio que antes era apenas um sonho desperto que precedia o sono por noites e noites a fio - existe.

E de repente Jonathan abre a caixa e descobre que lá só existem roupas, o pior e mais sem graça dos presentes da história da infância, enquanto toda a família cai na gargalhada e alguém fala repetidamente “Jonathan, não podemos comprar um X-Box”. Qualquer criança, por menor que seja, é capaz de entender que uma família não pode lhe dá certos presentes, mas o que qualquer criança assim como Johantan jamais vai conseguir entender é como adultos, pais e irmãos que supostamente são representações de amor e carinho, podem ser tão cretinamente cruéis.


Via Judão e Engadget, que está se mobilizando para mandar o jogo para o menino.

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