Fortaleza e Ceará, duas formas bem diferentes de ver o futebol?

Na última semana, dois posts do Luís Carlos Freitas, no Pebol, têm chamado minha atenção pelas reações que despertaram nas torcidas do Ceará e do Fortaleza, o que, aparentemente, demarcam grandes diferenças entre alvinegros e tricolores.

Escudo do FortalezaO primeiro, datado do dia 1 de Fevereiro, com o título “Vetar árbitro é cara-de-pau“, critica a idéia do Fortaleza de escolher a arbitragem para evitar que o time seja prejudicado, isso tudo depois que um pênalti duvidoso no jogo contra o Quixadá resultou em empate por 2×2. A reação nos comentários foi furiosa:

sumidade tu. pederasta. com todo resapeito aos pederastas.

Cara de pau é você (Luís Carlos Freitas) e esse juizim, torcedores do time da ZEBRA. Jornalista tem que ser imparcial e não cara de pau. Kanalense.

Dos 17 comentários, apenas um demonstrou alguma maturidade:

É impressionante como tem torcedor doente, é em todo canto, nesse blol, no do jornal O Povo, bastou um jornalista emitir uma opinião contrária, pronto, lá vem o festival de desqualificações e baixarias. Gostaria de ver esse mesmo tipo de patrulhamento e afinco na fiscalização e cobrança de nossos governantes.

Quanto a questão em si, sou torcedor do Fortaleza, mas também acho que a diretoria não precisava ter emitido nota nenhuma, não diria cara de pau, mas houve uma precipitação.

Escudo do CearáNo post do dia 8 de fevereiro, o “kanalense” Luís Carlos Freitas escreve sob o título “Uma década sem presidente” uma história curta, quase melancólica, de como o Ceará tem sido utilizado da década de 90 até hoje por todo tipo de aproveitador, de empresários a políticos que fizeram do clube um trampolim para seus negócios. No mesmo post, elogia o Fortaleza pelo profissionalismo que o levou a uma certa hegemonia no estado, com ida à Série A e a força que é, atualmente, na Série B. Os comentários foram radicalmente opostos aos do post anterior:

Luis, Parabéns por essa sua verdade jogada na cara desses que só se aproveitam de nossa Paixão.

Tem razão o grande Ceará Sporting Club vem se apequenando… sinto muito pela grande e participativa torcida que cada vez mais vem se deparando e se envergonhando com derrotas e mais derrotas do glorioso para antigos fregueses. Há alguns anos atrás vencer o Ceará no PV ou no Castelão era praticamente impossível, feito conseguido apenas por algumas poucas equipes do país, e ainda assim através de muito esforço. Hoje me deparo com um Ceará sem personalidade e incapaz de vencer um time do Icasa que terá que existir por mais uns 100 anos para conseguir o que o Mais Querido conseguiu até hoje. O que falta são homens de verdade para dirigir este clube tão querido, chega de pára-quedistas pretenciosos, que só sabem ver votos, propaganda e comércio de jogadores fracos. Chega! Ainda mais temos que aturar esse pesidente ignorante que nem se dá ao trabalho de aprender a falar. Peçam dicas aos dirigentes do Vitória-BA de como se monta um time forte e barato.

Não há sequer um comentário ofensivo vindo da torcida alvinegra.

O que me surpreende é a enorme diferença entre as duas torcidas, como uma pode ser tão realista e a outra tão mais fora de controle? Uma tem mais fervor que a outra? A segunda está mais conformada com as derrotas que a primeira? É meramente uma questão de idade, o Fortaleza tem um torcida mais jovem enquanto o Ceará é mais maduro? Ou é apenas uma diferenciação inconsciente da massa, se uma é mais democrática a outra deve ser, necessariamente, intransigente?

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