Usabilidade Web: Adriano Macedo, do TK82C à TV Digital (parte 2)
Por Leonardo Fontes no dia 25 Jan, 2008 em Destaque, Entrevistas, Internet, Tecnologia, Usabilidade Web, Áudio
Para dar continuidade às entrevistas sobre Usabilidade Web, publico agora a segunda parte da entrevista com o designer Adriano Macedo, gravada em 18 de Janeiro.
Vou ser direto, a segunda parte é melhor que a primeira, é quando ele refina o pensamento sobre open source, desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de conteúdo e suas perspectivas e expectativas para o mercado de internet no Brasil.
Para quem perdeu a primeira parte, publicada em 24 de Janeiro, recomendo começar por lá para não perder o contexto. Para quem já ouviu ou leu a passada, divirtam-se.
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Tu encontra ainda muito o cliente… teve uma fase na internet, não sei se isso ainda é muito presente, em que o cara tinha o seguinte pensamento: “ah, eu vou fazer meu site na internet, porque a internet é moda, a internet está bombando e eu preciso fazer um site na internet”. O cara fazia o site e aquele site ficava parado durante duzentos anos. Você faz um site que na verdade não vai agregar nenhum valor ao negócio do cara, quando na verdade o que agrega valor é o cara estar sempre atualizando, sempre com novidade, estar reproduzindo na internet o que ele está fazendo, vamos dizer assim, no mundo real. Tu ainda pega muito cliente assim?
Adriano Macedo - Não mais. Faz muito tempo. Como eu te disse, eles já vêm mais descolados. Já faz uns dois anos, desde 2005, que não pego mais cliente assim. O que eu pego muito, ainda, é o cliente motivado pela concorrência que ele acabou sofrendo na internet. Ou seja… “ah, porque eu descobri que o meu concorrente agora tem um site, além de ter um site, ele está começando a vender agora para o centro-sul do País. Ah, agora ele está começando a exportar via internet, eu tenho que estar na internet”. Então ele acaba sendo meio que pressionado pela própria concorrência que passou a perna dele e agora ele está correndo atrás do prejuízo.
Nessa tradução que tu faz, porque na verdade parte do trabalho do desenvolvedor é fazer uma tradução entre o que é o cliente e o que é o cliente do cliente, como fica a acessibilidade web? O cliente tem essa preocupação, vocês têm preocupação com isso?
Adriano Macedo - A maioria dos clientes não tem. Ele já ouviu falar, mas não sabe onde é que o galo está cantando. A gente tem uma preocupação com isso, não posso dizer para você que seja como o Nielsen recomenda ou o W3C reza, não é desse jeito. É como te falei no início, tudo demais é meio que veneno. Não vou entrar nesses xiitas, “não, porque no W3C está dizendo que não se usa flash, então não vou usar flash porque o flash é pesado, o flash é isso… vamos trabalhar com CSS porque o CSS é a sétima maravilha do mundo”. Não é assim que as coisas funcionam para mim. Se eu decidir que um site não vai ter tabela, eu tenho que conceituar em cima disso. Por que o site não vai ter tabela? Ah, porque ele vai carregar mais rápido, vai poder separar o design da programação através do CSS, é mais interessante… Tudo bem, você criou um conceito, agora simplesmente usar por usar o recurso, eu acho tão ruim quanto qualquer outra coisa. Então a gente se preocupa muito quanto estamos fazendo o site, primeiro em testar na maioria das plataformas possíveis e imagináveis. Como eu gosto muito de dizer brincando, a única coisa que eu me recuso, recuso, a testar, é na porcaria daquele browser chamado Konqueror. É muito ruim aquela peste, pelo amor de Deus.
O próprio usuário Linux usa pouco o Konqueror.
Adriano Macedo - Graças a Deus. Até então, enquanto não existia o Firefox no mundo, ou então antigamente como era o Netscape que tinha uma versão para o Linux, o Konqueror, ave Maria… não está rodando no Konqueror, o que nós vamos fazer? Nós não vamos fazer nada, tchau, morra abraçado porque comigo você não vai. É a única coisa a que me recuso, agora, fora isso, a gente testa no Firefox, nas três plataformas, Linux, Windows e Mac, no IE, tanto na plataforma Macintosh quanto na plataforma Windows.
O IE é um problema para ti?
Adriano Macedo - Não, como desenvolvedor ele é o browser amigão, porque ele deixa passar tudo de erro que você faz. Você erra e para ele é uma beleza, meu amigo, me dê um abraço, não tem problema não, está errado mas vamos nessa. Ele é um browser um tanto quanto perigoso para esse tipo de coisa. Agora, não vamos tapar o sol com a peneira, 80% do mercado é dele. Não vou fechar os olhos e dizer que não vou desenvolver para o Internet Explorer, é besteira.
Por puro ativismo.
Adriano Macedo - É besteira.
Porque acaba se transformando em certo momento em ativismo, eu sou contra o Internet Explorer, contra a Microsoft, não vou desenvolver para essa porcaria…
Adriano Macedo - Então morra pobre, porque, siceramente, eu estou aqui, meu filho, é para ganhar dinheiro, não estou aqui para brincar nem para ficar fazendo ensaios: “não, porque o software livre e tal…” Sabe quando é que eu gostei do software livre? Quando agora o pessoal da Sun comprou o MySql, por Us$ 1 bilhão, acho que foi antes-de-ontem se não me engano [16 de Janeiro de 2008]. Pagaram para a empresa sueca que controla o MySql, achei bacana aquilo lá, tem toda uma discussão na internet sobre o que é que vai dar. Achei bacana, ou seja, software livre tem fundamento, é interessante, pode render dinheiro, bacana, jóia. Agora, ficar nessa discussão besta como era antigamente: “ah, eu uso o Apple II, ah eu uso o MSX, ah eu uso o TK“. Caramba, cada um usa o que quer, cara. Mas voltando à questão dos testes. Então a gente executa todos esses tipos de testes, possíveis e imagináveis nas plataformas para assegurar o máximo de compatibilidade com o cliente. Agora, tem cliente que chega pra gente, como eu te disse, os mais descolados, já dizem logo: “Adriano, a gente através da nossa agência fez uma pesquisa de mercado, 90% dos nossos clientes que vão acessar o site trabalham com monitor LCD de 17″ em 1280×1024 e usa o Internet Explorer”. O que eu vou dizer para ele? Vou dizer “não, Fulano de Tal, eu vou fazer tudo cabendo em 800×600″. Não vou! Besteira, perda de tempo, não quero perder tempo. Então, eu vou focar no público alvo que ele me deu. Não tenho nem conversa, nem penso, porque ele já me trouxe esse estudo. E eu não vou argumentar com ele “não, vamos tentar fazer porque desse jeito o site vai ser compatível e tal”. Não vou, ele não tem interesse nisso. O público alvo dele é fechado, é um pessoal de alto poder aquisitivo, que comprou dezenas de milhares de monitores novos com resoluções altas e está todo mundo rodando no Core II Duo da Intel. E aí? O cara vai realmente se preocupar se o flash está com 300k? Não vai! Não vai! Não é o objetivo dele, o objetivo dele é fazer um site com alto padrão de qualidade gráfica que ele só vai atingir, na concepção dele, em flash. Aí eu posso até argumentar, “não, vamos dotar o site de alguns recursos”, tudo bem, mas ele já tem toda uma concepção, um estudo que já foi feito em cima disso. Então, eu não vou discutir com ele. Mas de um modo geral, a gente procura testar no máximo possível de plataformas para poder assegurar uma compatibilidade para os clientes que vão acessar o site.
Você tem uma lista, ou requisitos para um bom site corporativo? Quais são esses itens que fazem que um bom site corporativo transmita bem a mensagem do cliente?
Adriano Macedo - Não existe muito essa questão do item.
Da regra absoluta.
Adriano Macedo - Não, não tem. É como eu te disse, quando eu começo a entender como é que a empresa funciona, a grande maioria funciona um pouquinho diferente, têm uns pontos diferentes umas das outras. Eu procuro levar isso para internet. Então, quando eu faço justamente essa transição é que vem exatamente isso daí. “Olha, não vamos colocar o teu ´histórico´ não, vamos chamar isso de ´conheça a empresa´. É mais interessante do que você colocar ´histórico´”. Então, você vai moldando isso daí de uma forma para transformar o site amigável, porque o site corporativo de um modo geral é encarado como um site chato de se visitar, porque muita gente espera que vai encontrar calhamaços e calhamaços de textos, que ele não precisa ler mas estão lá. O site corportativo para mim tem que ser extremamente objetivo. Nós fazemos isso, nosso objetivo de mercado é esse, você gostaria de entrar em contato conosco? É assim! Ele tem que ser muito fácil, a comunicação tem que fluir de forma muito fácil, com quem está do outro lado sem chatear a pessoa e procurando encatá-la da melhor maneira possível. Meio difícil conseguir somatizar tudo isso e transformar isso em site, é difícil, mas quando você consegue, ó, fica bacana que só.
A internet é cheia de erros e acertos, claro que como não existem regras absolutas… O Rafael Dourado disse na entrevista passada uma coisa que talvez seja uma verdade, é que o que o desenvolvedor faz é muito na base do testar, do errar, do consertar e aprender que aquilo não deu certo e tal. Tu acompanha os sites que ficam prontos depois que são entregues?
Adriano Macedo - Acompanho, faço todo o acompanhamento quase que todo dia. Quase que uma rotina diária, no finalzinho da tarde ou início da manhã, estou sempre dando uma olhadinha para ver como é que está, porque a maioria das vezes a própria manutenção do site é trabalhada através de sistemas web, então é o próprio cliente que é encarregado, após de receber um treinamento, obviamente, fazer toda essa parte de manutenção. Então estou sempre observando, fazendo anotações sobre isso, entro em contato com ele, “olha, aquela informação que você colocou nova, não considerei interessante, você poderia ter colocado ela com menos destaque”. Então, eu vou sempre fazendo essa pós-venda, vamos dizer assim, assim que o site começa a ser entregue.
Quais são, dentre essas observações, as dificuldades que o usuário dos sites encontram? Porque é aquela coisa, você tenta fazer a tradução mas pode ser que não dê certo, quais são as dificuldades do usuário web pela tua experiência como desenvolvedor e em relação aos sites que você faz para os clientes?
Adriano Macedo - Pronto, antigamente, tinha uma coisa que eu sempre ficava me questionando que era assim, a turma não quer colocar telefone no site. Não conseguia entender isso. Por incrível que pareça, para muitas pessoas que vão acessar o seu site, o telefone ainda é uma ferramenta de fácil alcance.
E de comunicação mais direta, você vai mandar um e-mail, daqui que o cara responda…
Adriano Macedo - Exato. E muitas vezes o que acontece, a pessoa que está acessando seu site não está na frente do computador dela. Então, se ela clicar em um link que vai levar a um e-mail, ele vai abrir o Outlook ou o Thunderbird ou qualquer outro cliente de e-mail, mas ela não está no e-mail dela. Então vamos resolver isso colocando um formulário, bacana, mas eu não quero, eu quero falar com alguém, caceta. Eu quero falar com alguém, me informe o número de telefone.
A boa e velha forma de contato que os caras se recusam a colocar. É o “Sobre” que a gente falou anteriormente.
Adriano Macedo - É, exato. E aí eu sempre levanto isso para o cliente, não esqueça nunca de informar o número do seu telefone. Você coloca lá, contatos por e-mail são esses, esses e esses, formulário e se você quiser entrar em contato conosco, é esse. Você dá todo o leque de opções para o cliente e ele decide como vai lhe contactar, fica muito mais agradável. Mas ainda, é incrível, eu nunca parei um pouquinho para conversar, “por que você não quer dar seu telefone? Você acha que o pessoal vai ficar ligando para você, lhe perturbando?”
Passando trote.
Adriano Macedo - Não consigo meio que entender, você está facilitando a vida das pessoas.
Você está facilitando a sua venda.
Adriano Macedo - Também. Aquela ligação pode se traduzir num negócio. Um dia desses eu atendi o telefone aqui: “Digital Design, boa tarde!”. Aí a moça: “vocês fazem impressão gráfica?”, “não, senhora, desculpa, a gente trabalha com sites para internet”, “ah, é? Quanto é que custa um, como é que funciona?” E aí vamos nessa?
Ela não viu o “digital” no nome da empresa?
Adriano Macedo - Mas é que tem aquela coisa, pode ser impressão digital, existem as gráficas digitais. Então ela meio que pode ter se confundido, mas depois que expliquei… eu acabei vendendo algo que ela sequer queria. Acabei traduzindo isso em uma venda. Então, foi um bom negócio para mim porque ela me localizou através do meu telefone.
Quando você vai fazer uma site, você desenvolve sistemas de gerenciamento para os clientes?
Adriano Macedo - Não, a gente trabalha há anos com a Navegantes Web, que trabalha lidando exatamente com sistemas de gerenciamento de cliente. Temos uma parceria muito sólida com eles em relação a isso.
Ponto polêmico. Não seria melhor usar um open source da vida a desenvolver um sistema de gerenciamento de conteúdo?
Adriano Macedo - Justamente o programador aqui do meu lado, que é Analista de Sistema formado pela UFC (Universidade Federal do Ceará), se torce todinho quando ouve falar… A gente já teve algumas discussões sobre isso aqui no escritório, porque o lance é o seguinte, é a questão do suporte. Porque, por exemplo, como eu tava te falando, a Sun comprou o MySql, o que vai ser do MySql daqui um mês, dois meses, ninguém sabe. Espero que todo mundo continue usando o banco de dados como se usa hoje em dia. Mas quem vai decidir isso é a Sun que é a dona do negócio agora. Digamos, agora, que a Adobe olhou para o WordPress e “vou comprar vocês agora, eu comprei a Macromedia, vou comprar vocês também.” Aí a Adobe faz o seguinte, “não, o WordPress agora vai ser vendido, a licença de uso é US$ 45″. E aí? Como é que fica? Quem for fazer o upgrade, tu vai dizer para o teu cliente, “não, Fulano, você já usa o WordPress há tanto tempo, mas agora, você vai ter que pagar uma licença de uso e tal”. É complicado, cara. Fora que, tem a questão que é o seguinte… me esqueci agora qual era o sisteminha que gerenciava banners… que era também open source… sei que deu um problema, deu um pau violento na internet, que foi assim 300 mil sites no mundo todo que usavam esse gerenciamento de banner, apareceu um monte de mensagem pornográfica, de um dia para o outro. O pessoal explorou uma falha no sistema e ficou assim durante três, quatro dias.
Enquanto a comunidade se mobilizava para consertar.
Adriano Macedo - É, e “não, não se preocupe cliente, a mensagem pornográfica vai ser por pouco tempo, a comunidade vai encontrar a resposta para o seu problema”. Caramba! É muito arriscado. Eu acho até que tem alguns recursos interessantes, nada me impede de olhar um pouquinho no WordPress, agora eu recomendar para um cliente meu usar, não faço isso, sinceramente não faço isso. O que eu confio é no que o Breno desenvolve, que é o analista, e no que o Tito desenvolve, que é outro analista. Aí eu confio. O que terceiros que estão em outros países, que eu não conheço, nunca vi, não sei o que o camarada colocou no código fonte, não sei qual é o problema que ele pode dar… Eu não sei, eu não posso garantir isso para o cliente, eu acho muito arriscado.
Eu queria que você citasse exemplos de sites que você considera bem feitos.
Adriano Macedo - Gosto muito do G1, da Globo. Acho que foi um dos primeiros sites com formato portal que eu gostei do visual. O UOL nunca gostei, tem informação demais ali. O Terra, também, não gosto da cara dele. Tinha o IG muito antigamente que fazia uma coisinha até interessante mas meio que não considero mais, meio que se perdeu, acesso muito pouco. O G1 realmente foi interessante. A forma como ele distribui a informação e que não fica feio. Que é outra grande preocupação comigo, o pessoal começa a fazer um site em CSS e é todo mundo com a cara de todo mundo. Eu acho isso muito chato! Você acessa o site e está lá, o menuzinho lá no canto superior, os links alinhados à direita, todo mundo com a mesma carinha… Pelo amor de Deus, cara! O que a internet tem de mais prazeroso é a descoberta, é você poder emocionar uma pessoa que você nunca viu, a pessoa acessando o seu site e manda uma mensagem “gostei muito disso aí, ficou muito legal”. Se todo mundo fica parecidinho, igualzinho, perde muito essa graça. A internet, já faz alguns meses, está se tornando um pouquinho chata. Tudo bem, tem gente que fazendo as coisas com CSS, você olha e diz “isso não é CSS” e na verdade é, eu acho show, acho muito legal, quando a pessoa consegue fazer isso aí. Agora, a grande maioria dos sites que eu acesso, blogs, similares, que usam recursos de blogs, são todos com uma carinha muito parecida.
Mas será que isso não é porque hoje em dia todo mundo se considera designer de internet? A coisa está ficando tão simples, quer dizer, às vezes o cara até pela internet mesmo aprende um ou outro recurso do CSS, vou fazer meu teminha de blog, ou de site e pronto, é um designer…?
Adriano Macedo - Eu não sei. Não vou chamar de preguiça, mas está em um certo comodismo em não querer buscar novas coisas. Eu vi uma definição de nerd, do que é o nerd, que eu acho sensacional. O nerd é aquele cara que usa o telefone para ligar para outro nerd para falar sobre o telefone. Ou seja, ele descobriu o telefone, achou o telefone uma invenção sensacional, aí liga para o amigo dele para falar sobre o telefone.
Então nós dois somos nerds…
Adriano Macedo - É. Quando eu usei o Skype pela primeira vez, eu achei fantástico, porra, isso aqui é revolucionário. E eu ligava via Skype para todo mundo para falar sobre isso. Até para pessoas que fazia muitos meses que eu não via, ou porque estavam em outro cidade, eu dizia “tá usando o Skype aí tá? Clica aí no botão exibir! Agora a gente pode fazer conferência!”.
Menino com brinquedo novo.
Adriano Macedo - Esse tipo de coisa me entusiasma muito, sabe Leonardo. E queria que essas pessoas tivessem o mesmo entusiasmo quando fossem fazer o blog delas, que elas não saíssem replicando as coisas. Quando eu decidi fazer meu próprio blog, eu fiquei imaginando o seguinte: ” puxa vida, não é nem uma questão de querer ser diferente, mas se eu for me repetir aqui eu vou ser só mais um. Então vou fazer meu blog baseado em frases musicais”. Cada post, cada tópico, começa com determinado trecho de uma música.
Bom, mas você está falando de conteúdo e não de forma.
Adriano Macedo - É, mas assim, a questão da disposição visual dele, do meu próprio blog, ainda me incomoda um pouco. Talvez porque eu tenha escolhido para testar a ferramenta mais fácil que existe, que é o Blogger, largamente usado mundo afora. Mas, assim, quando eu terminei, fiquei assim, puxa vida, ficou muito parecido com tantos outros que têm por aí. Eu comecei a tentar diferenciar justamente nessas brincadeiras. Vou começar com uma letrinha de música, vou colocar um assunto de alguma forma relacionado à essa letra de música. Obviamente que, se eu continuar no Blogger, vai ser meio difícil eu conseguir uma interface que me faça ter essa cara mais diferente. Ele acaba sendo muito fechado. Mas eu imagino também, caramba, quantas milhões de pessoas devem usar aquilo ali todos os dias? Ele acaba meio que fechando um pouco isso daí. O WordPress já é um pouquinho mais livre, consegue mexer… como eu tinha visto na entrevista do Dourado, consegue pegar ele de pé para a cabeça e vira e sacode e joga para lá e joga para cá e faz outra coisa… É interessante, o que eu realmente não gosto, é como eu te disse, é acessar algo e estar lá a mesma coisinha, a mesmice, isso é muito chato. Mudem isso pelo amor de Deus, sejam ousados.
Pergunta filosófica, qual é o maior inimigo da internet hoje?
Adriano Macedo - Coca-Cola e pizza.
Mas dá para você comer pizza e tomar Coca-Cola na frente da internet.
Adriano Macedo - Pois é, é exatamente o que eu faço. É por isso que estou com uns quilos a mais, e o pessoal do Vigilantes do Peso, que até então eu fazia, tá puto comigo, porque eu tinha perdido 10 quilos e engordei muito mais, por conta dessa maldição de Coca-Cola e pizza.
Efeito sanfona.
Adriano Macedo - Agora, sim, porque… hoje em dia você pode passar o dia inteiro na internet e tem sempre algo novo para você ver. Então você senta na frente do computador, no final de semana ou quando o trabalho dá uma desafogada, aí você abre uma Coca-Cola, pega uma pizzazinha e começa a comer aquilo lá e tal, cara, quando você vê já terminou… um monte de coisa para você fazer, não fez e comeu metade da pizza, tomou um monte de Coca-Cola e tá lá passando mal.
Tu já chegou a substituir todas as outras mídias pela internet?
Adriano Macedo - Já! Faz muito tempo que eu não manuseio jornal em papel, muito tempo, não me lembro qual foi a última vez. Revistas… as nacionais sim, então Isto É, ou Época… a Veja eu não leio porque para mim é uma grande de uma droga, uma das piores coisas que existem em mídia é a revista Veja, não leio, não recomendo, detesto, mas é uma questão pessoal. Agora, revistas estrangeiras, eu leio muito a Wired, que acho imprecindível para quem trabalha com internet, essa eu já gosto mais de manusear, tenho mais esse apego ao papel do que à edição online da Wired. Agora, de um modo geral… rádio, nunca mais escutei rádio. AM, FM, sinceramente, nunca me interessei. Que mais?
TV?
Adriano Macedo - TV eu assisto a parte das séries. Mas TV aberta, me limito, às vezez, à assistir o Jornal da Globo, muito raro também. Assisto mais as séries, seriados americanos.
Você ainda não entrou naquela turma que baixa os episódios com meses de antecedência?
Adriano Macedo - Algumas vezes sim. Alguns seriados merecem, de tão bons que eles são que você não vai ficar condenado a esperar uma janela de seis meses até sair. Porque é aquela coisa, o pessoal está comentando, por exemplo, Lost - ele volta agora dia 31 de Janeiro -, ou seja, na internet ele vai estar disponível no dia? 31 de Janeiro, a legenda deve sair duas horas depois. Aí, você fica assim: “puxa vida, na TV vai passar o Lost lá para agosto, eu vou receber com certeza… em algum site vai estar lá ´Episódio três do Lost: Jack matou Kate´”. Porra, que é isso, caramba? Porque o pessoal já está assistindo, e meio que você também não quer ficar para trás. Lembra da história que eu te falei do meu cliente que fica reclamando que o Word dele abre com sete segundos e ele acha muito lento? É aquilo lá. “Puxa vida, vou ficar para trás? Vou esperar o Lost até agosto? Não, não vou ficar doido!”.
Para encerrar, tu acredita na TV digital?
Adriano Macedo - Como ela está sendo proposta, não. Porque a legislação atual - até onde eu li, posso estar enganado - não permite interatividade na TV. Não é nem que ela não permita, ela sequer imaginou isso quando ela foi concebida, a lei que regulamenta essa parte de telecomunicações. Então, se você disser que vai ter interatividade, você está mentindo, você não vai ter interatividade enquanto essa lei não mudar, não adianta de nada. Agora, se mudar, as possibilidades são incríveis e eu quero estar lá, quero desenvolver as coisas para a TV digital também. Agora, da forma como ela está sendo proposta, da forma como ela começou, na verdade começou de uma forma muito pífia, pouquíssimas pessoas tiveram acesso, o preço dos conversores é um absurdo. Foi bizarro. Agora, como eu te disse, dá uma melhorada nessa lei que trabalha com telecomunicações…
Piada interna, acesso por linha discada ainda é um problema de usabilidade?
Adriano Macedo - Não, acho que não. Existe uma boa parcela das pessoas que ainda trabalha com linha discada, mas, é como eu te disse, boa parte dos meus clientes já chega meio que específico para isso daí, então alguns deles já chegam dizendo: “o nosso cliente não é usuário de linha discada. É um pessoal que está trabalhando com banda larga. Então eu quero um site com esse tipo de qualidade, para trabalhar com esse tipo de usuário”. E o pessoal que vai acessar com linha discada? Eles vão acessar de uma forma mais lenta, mas o site não vai ser baseado neles, vai ser baseado com quem está trabalhando com tecnologia de ponta.
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