O túmulo de Nísia Floresta
Por Leonardo Fontes no dia 12 Jan, 2008 em Brasil, Humor, Literatura, Turismo
Nísia Floresta, ou Dionísia Gonçalves Pinto, é tida por alguns como “a mais notável mulher que a História do Rio Grande do Norte registra”. A poetisa nascida em 1810, na então chamada Papari (que depois adotaria o nome de sua ilustre moradora), provavelmente detém um outro título, menos nobre, a de descansar em um dos túmulos mais sinistros do mundo.
Quem se aventura no roteiro alternativo para a Praia de Pipa, no litoral sul de RN, isto é, sai da BR-101, passa por dentro de Natal e segue, como diria o matuto, no rumo da venta, vai passar por lindas paisagens, uma dezena de pequenas cidades praianas com cenários de tirar o fôlego, além de uma estrada que se torna sinuosa e deserta em determinado trecho.
Para a sensação ideal de medo e terror, aconselho começar a viagem no crepúsculo, e, claro, sem conhecimento algum do percurso a tomar. O viajante encontrará um deserto na penumbra, uma estrada sem viva alma por quilômetros a não ser por localidades com casas construídas no que seria o acostamento, sufocando o viajante em uma via estreita e sem possibilidade de parada segura. De um lado, a escuridão não permite ver direito se há proximidade com o litoral, com encostas abissais, terra mansa ou se com o que os navegadores do Século X chamariam de fim do mundo, quando a Terra ainda era plana. De outro, entre uma casa e outra, entre um raro pedestre pálido sob a luz da Lua, sozinho em uma viagem que mais parece para o Além, cemitérios comunitários e pequenos túmulos com crucifixos indicam o lugar de acidentes fatais e completam o cenário funesto. É inevitável pensar que mais cedo ou mais tarde, Jason Voorhees aparecerá repentinamente para esquartejar todos no carro.
Depois de meia hora de silêncio e apreensão, começam os primeiros sinais de dúvida: “será que é por aqui mesmo?”, “caralho, essa estrada não está no mapa da gente”, “e se essa estrada acabar de repente, que a gente faz?”, “acho que tô com medo” e, a pior, “tenho a sensação de que estamos perdidos”. Mas a única saída é heroicamente continuar a viagem. Está criado o stress, o medo já pesa no ar, quando, depois de mais uma curva de tirar qualquer obeso de centro, o viajante se depara, sem introdução ou contexto, com o túmulo de Nísia Floresta.
A sensação de que Nísia Floresta, agora serva do próprio Conde Drácula, entrará no carro para sugar o sangue de todos dura cerca de dez minutos, até que no centro da cidade, um baobá serve de tranquilizante geral.
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A história é baseada em fatos reais. As fotos diurnas do cenário foram feitas dias depois, para ter certeza de que não tínhamos entrado em um episódio de Além da Imaginação.






