Manoel de Juazeiro, Poeta

2007 Dezembro 16
by Sampson Moreira

Leonardo Fontes resolveu tirar merecidas férias e deixou seu blog sob a responsabilidade de alguns amigos. Um deles, fico honrado, sou eu, Sampson Moreira. O que ele não sabia era que eu também entraria de férias dias depois do seu convite.

Eu não poderia desperdiçar a oportunidade de vir aqui no BlogueIsso! escrever algumas linhas. Responsabilidade das grandes, afinal quem sou eu, um cabeça chata das brenhas do Ceará, para chegar aqui e escrever alguma coisa no blog do Leonardo Fontes? Não tenho todo esse gabarito. Enquanto não me encorajo, vou postar um texto escrito pelo meu pai. Ele conta uma parte do que lhe aconteceu em Picos (PI) durante suas últimas férias.

Por Tarciso Coelho

De férias em passagem por Picos (PI), em 11.12.2007, “conheci” um poeta popular “desconhecido” que me disse apenas que era de Juazeiro do Norte (CE) e que é poeta. Tomamos umas tirando gosto com o famoso Feijão do Pelado (Só quem conhece Picos sabe do famoso feijão). No meio de bom bate papo o Manoel recitou os seguintes versos, sempre depois de dar as explicações:

- Quando Patativa do Assaré era desconhecido foi à Canindé (CE) pagar uma promessa que fizera à São Francisco, santo milagreiro e padroeiro daquela cidade. Depois de longa e cansativa viagem andou pelos bares da cidade cantando seus versos para arranjar alguns trocados. Numa ocasião uns jovens começaram a caçoar do poeta e um deles disse: isso é PUETA tirando o É.

Patativa disse:

“Eu sou o poeta Patativa
da cidade do Assaré
vim pagar uma promessa
na Matriz de Canindé
sou das terras sertanejas
tua mãe talvez quem seja
PUETA tirando o É”.

- Algumas moças estavam na calçada da Igreja durante a Missa das nove horas quando um jumento em desabalada carreira, atrás da jumenta, parou e “cobriu” a jumenta bem próximo das jovens.

Um poeta anônimo que assistia a cena, disse:

“Arre lá jumento velho
que moda feia essa tua
tantas moças na calçada
e você com esta espada nua
tira a jumenta lá do mato
e vem comer no meio da rua”.

- Um poeta violeiro chegou à cidade à procura de outro poeta para fazer uma cantoria. Alguém lhe disse sobre um, mas que era muito fraquinho. O poeta foi lá e fez o convite. O outro poeta aceitou com a condição de que não fosse “aperreado” com versos que o deixasse em situação embaraçosa. Na hora da cantoria o poeta experiente querendo fazer bonito botou “pra lascar” no aprendiz que quando se viu aperreado, disse:

“você disse que não aperreava
mas já está me aperreando
eu dou-lhe um tapa tão grande
que você cai no chão rodando
com as orelhas lepe-lepe
e o cú abrindo e fechando”.

- O cara já estava triste de tanto “levar chifre”. Alguém lhe perguntou por que vivia só. Ele respondeu:

“Mulher é um bicho bom
mas eu não confio nela
nem na preta, nem na branca,
nem casada e nem donzela
ela tem uma fechadura
que toda chave dá nela”.

*TARCISO COELHO é Poeta (com “O” e com “É”), Contador, Auditor aposentado do Banco do Brasil e membro efetivo da União Picoense de Escritores (UPE).
“O respeito a si, aos outros e à Natureza é a forma de cidadania de maior singeleza”.

Aí está. Já que este é um blog metade piauiense, achei que tinha tudo haver.

Compartilhe:
  • BlinkList
  • del.icio.us
  • digg
  • Ma.gnolia
  • YahooMyWeb
  • Facebook
  • Google
  • LinkedIn
  • Pownce
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Slashdot
  • TwitThis

Leia também