Tiago Dória fala sobre tendências web, Twitter e microformats
Tiago Dória é uma das boas referências na cobertura de tecnologia entre os blogs brasileiros. Desde 2005 no Ig, o jornalista e webdesigner começou a blogar em 2003, quando criou sua primeira experiência no Blogger - hoje apenas um arquivo.
Ele é um dos nomes do Alternativa Web 2007, nos dias 1 e 2 de Outubro, quando fala sobre microformats.
Assim como a entrevista com Michel Lent, conversamos por e-mail sobre tendências, jornais na internet, conteúdo gratuito, blogs, Twitter e, claro, o assunto de sua palestra. Leia a seguir.
Bom, o começo da entrevista não poderia deixar de ser sobre o Twitter, a plataforma de microblogging da qual você é um grande entusiasta. Vou te fazer uma pergunta recorrente nos blogs, qual é a graça?
O Twitter é mais uma ferramenta de microblogging, entre tantas outras importantes de publicação de conteúdo na rede - blogs, wikis, sites. Acredito que quando muitas pessoas começam a usar uma ferramenta não é apenas pelo hype, existe alguma coisa, alguma demanda reprimida.
Uma das principais características é a integração com celular - você pode enviar SMS de forma gratuita apenas para um grupo de pessoas selecionadas. É um ótimo case de uma ferramenta que faz a ponte entre internet e mobile e que conseguiu se popularizar. Em relação ao conteúdo, o mais interessante é acompanhar os bastidores da produção de diversos blogs e veículos de comunicação. Muitos usam o Twitter para adiantar assuntos que serão discutidos nos blogs. E isso não existia antes.
Quais são as possíveis aplicações da ferramenta?
Um dos usos é esse - mostrar os bastidores. Também é possível a eficiente utilização para cobertura de eventos - o Fábio Seixas fez uma ótima cobertura da TechCrunch40 na semana passada. Já o Corpo de Bombeiros de Los Angeles aproveita a gratuidade no envio de SMS para mandar aos assinantes de seu perfil no Twitter alertas de incêndios pela cidade. As pessoas recebem as informações no celular.
Enfim, semelhante aos blogs, os usos são praticamente infinitos. Alguns mais úteis a determinados públicos e necessidades.
Na sua palestra no Alternativa Web 2007, você vai falar sobre microformats, explica um pouco o que é essa nova tecnologia?
A rigor, microformats não é uma nova tecnologia, mas uma forma diferente de se pensar nas informações de uma página web. É um modo de expandir o HTML para que você forneça mais informações aos sistemas de buscas sobre o conteúdo de seu site. Por exemplo, com o microformats você mostra ao Google a relação que você tem com os sites para os quais está linkado. Ou ainda, é possível levar o seu leitor direto para o Google Maps para ele saber o endereço de um restaurante citado por você em um texto. Enfim, microformats é uma forma de fazer os sites falarem entre si e com outras ferramentas - Google Calendar, Maps, Outlook etc. Ou seja, é conversação e integração, a essência da chamada Web 2.0, tema principal da Alternativa Web 2007.
No seu blog do Ig, você faz uma cobertura extensiva sobre novas tecnologias, o que você apontaria como futuro na área? O que os internautas devem esperar para, digamos, até o fim da década?
É difícil prever até o final da década, mas acredito que nos próximos anos veremos sistemas de buscas mais refinados, capazes de identificar diversas nuances nas páginas web. Além de mais empresas e jornais liberando o acesso gratuito aos seus sites e conteúdo e o uso da tecnologia de tela sensível ao toque em mais gadgets.
E, particularmente, prevejo aqui, no Brasil, no próximo ano, o aumento do uso do formato videocast e a volta dos sites. Em muitas conversas em off com agências de internet, percebe-se um aumento dos pedidos de criação e reciclagem de sites.
Recentemente, o New York Times abriu parte do seu conteúdo para acesso gratuito. A discussão se os conteúdos devem ser pagos ou gratuitos na web é um dos grandes debates da década, você acredita que a atitude do Times encerra a discussão?
Acredito que não. A questão do NYT não é apenas sobre conteúdo gratuito, mas se a publicidade é capaz de sustentar a gratuidade de um serviço de informações na rede. Existe um tipo de informação que por muito tempo será paga e restrita - newsletters, relatórios de tendências e de datamining para investidores e executivos. É o tipo de informação que existe apenas porque é restrita. Enquanto existir mercado de ações e competitividade entre empresas, esse tipo de conteúdo exclusivo e muito bem pago sempre vai existir. O que o NYT fez foi o melhor no atual momento do mercado de internet - apostar na fórmula “conteúdo gratuito, mais tráfego, mais anunciantes”. De certa forma, eles ainda estão experimentando como se posicionar na rede - primeiro com o sistema de assinaturas e agora com o conteúdo sustentado por anúncios. Ou seja, ainda é cedo para falar que o conteúdo gratuito sustentado por publicidade é o melhor caminho.
No mesmo universo, pelo que você acompanha dos jornais no Brasil, eles lidam bem com suas presenças na internet?
A maioria dos jornais tem uma presença tímida na rede. São projetos mais reativos que ativos. Esperam algo dar certo lá fora para depois aplicar aqui. Não é à toa que comentários em matérias e RSS ainda são novidades em alguns sites de jornais no Brasil. Mas acredito que isso irá mudar. Essa nova geração que está se formando nas faculdades de jornalismo vem com uma cultura e uma visão diferentes, e um entendimento bem melhor da internet. E, em breve, serão editores desses sites.
Você agora está no Ig, mas tua experiência com blog é bem anterior. O que você citaria como principais influências do blog na tua vida? Você se considera um “viciado” em blog?
Não me considero uma pessoa viciada em blogs. De dois anos para cá, os estudos na Fatec [Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo] e o contato com certas pessoas me ajudaram a ver a internet além da perspectiva dos blogs. Aliás, recomendo a todos os blogueiros - se quiserem entender melhor o uso dessa ferramenta de publicação de conteúdo - que vejam os blogs inseridos dentro da internet, dentro de um contexto histórico.
Acredito que as principais referências para mim, na área de blogs, sempre foram os trabalhos do pessoal do LostRemote e do Jeff Jarvis, do Buzz Machine, apesar de considerar as análises deste, às vezes, muito românticas e pouco pragmáticas.
Que blogs você destacaria hoje como os mais influentes da blogosfera brasileira?
É muito relativo você definir quem é influente na blogosfera brasileira. Primeiro, os blogs são mídia de nicho e não de massa. Portanto, não existe o mais influente ou popular. Até por que são conceitos bem abstratos. O que existem são blogs com nichos de influência. Destaco, na área de novas mídias, que é um nicho bem aberto, da qual faço parte e que, por isso, conheço melhor - o Blog de Guerrilha, o Brainstorm#9 e o Intermezzo. Não considero o BlueBus um blog, por isso não o coloquei nessa lista, mas é outro veículo de igual importância. Não é por que não é blog que deixa de ser antenado e influente.
A que tendências de web, as pessoas que desejam estar antenadas devem acompanhar para não perder, digamos, o bonde da história?
Acredito que as tendências citadas na 4ª pergunta. Para estar por dentro das novidades, o melhor caminho é acompanhar blogs e listas de discussões. Esses são os primeiros a absorver e observar diversas tendências, não importa a área - moda, música, tecnologia etc.. Isso acontece por que, em sua maioria, eles são atualizados e alimentados por pessoas que estão muito por dentro de diversos assuntos.
Quais são suas expectativas para o Alternativa Web?
Estou bem ansioso para o evento. Muitas pessoas já entraram em contato comigo por email e também estão ansiosas. Espero que todos gostem da palestra e que, de alguma forma, ela consiga ser significativa para todos nós.


































