A tecnologia economiza o tempo? De quem?
Passo, praticamente, 24 horas na frente do computador. Mesmo durante as horas de sono, trambolhos como o MSN Messenger, Talk e Skype permanecem ligados, principalmente para receber recados de quem sabe que vivo online - é mais fácil me encontrar na internet que com o celular, por exemplo, já que sistematicamente o “esqueço” pelos cantos (ainda escrevo sobre a aversão que tenho a esse aparelho do demônio).
A internet substituiu grande parte de minhas antigas fontes de informação e entretenimento. Televisão, hoje, serve apenas para fazer barulho, companhia nas madrugadas que passo acordado ou eventualmente para assistir um filme. Livros servem de mouse pad ou referência rápida, estão espalhados pela casa por causa de leituras curtas de trechos que, por algum motivo, me passam pela cabeça - negligenciados, coitados. Música? Marcelo Glacial tem certa razão, mas diferente do que ele pensa, não é que eu não goste de música, apenas tendo a ouvir o que gosto (muito), e o que gosto me absorve. É um crime ouvir Miles Davis ou Paganini enquanto leio minhas centenas de feeds. Cervejinha? Muito bem instalado no puff enorme, com o laptop causando algum futuro mal nas partes baixas.
Hoje, como em muitos outros dias (é uma sensação freqüente), tive a impressão de que tanta tecnologia, tantos meios de comunicação embutidos em um só, tantas ferramentas de processamento de informações e, portanto, potenciais soluções para problemas do dia-a-dia, servem apenas para dar mais trabalho, consumir ainda mais o tempo.
Me pego no meio da tarde com dezenas de abas do Firefox abertas, o Thunderbird, o Photoshop e algumas janelas de instant messengers pipocando na tela para todo e qualquer tipo de assunto. Entre - e isso é sério - centenas de e-mails que recebo e que tento responder um a um, a quantidade imesurável de notícias que leio, duas reuniões diárias com durações variáveis, pepinos em sistemas, novos sites, pautas a elaborar, buscar videozinhos e textinhos engraçados, vasulhar a internet em busca de blogs, manter este blog, acompanhar neguinho no Twitter (hábito recentemente adquirido mas já nos estertores, graças ao Santo da Higiene Mental), para, no fim do dia, ter a certeza absoluta de que não fiz nada.
Sou mais um número nas estatísticas de quem sofre de excesso de informação. Acompanho tudo, mas ao mesmo tempo nada resta, não sobra nada de construtivo neste afogamento cotidiano em dados e interações, é uma maré inútil.
Antigamente as preocupações das pessoas eram tão mais locais, tão mais imediatas e palpáveis, que mesmo o mais workaholic tinha tempo para, bucolicamente, olhar para o céu ou dar uma volta no bar da esquina, com os bebedores habituais da vizinhança. Colocar na porta de casa uma cadeira para falar da vida alheia, conhecer pelo nome os filhos dos amigos. Hoje sei mais sobre a vida do Fábio Morróida que sobre os colegas de escola do meu filho. E isso, até o Fábio vai concordar, é uma merda, lá é vida.
Numa visão talvez mais apocalíptica de todo esse dramalhão techie, não nos treinamos em tecnologia para que ela nos sirva, é ela que nos adapta para que sejamos utilizáveis. Somos a interface dela para o input de pedaços de informação.
Ou, sei lá, de repente só estou precisando de férias.















