Edward Norton é o novo Robert De Niro
Edward Norton desenhado por René Vazquez
Confesso que não reconheci Edward Norton nos primeiros filmes em que o vi atuar. Não apenas por ser um iniciante desconhecido em Primal Fear e O Povo Contra Larry Flint, ambos de 1996, mas por neles, Norton ser, em essência, duas pessoas totalmente diferentes.
Em Primal Fear, ele é Aaron Stampler, sacristão franzino acusado de matar um bispo, no segundo interpreta Alan Isaacman, o hábil advogado de Larry Flint. São dois opostos, magicamente incorporados. A sensação de constante mudança física e psicológica em que Norton se especializou no começo, posta no limite do irreconhecível, é repetida em American History X, de 1998, quando aquele menino magro, visivelmente inofensivo, se transforma no neo-nazista Derek Vinyard.
Derek Vinyard, por Edward Norton
No filme de Tony Kaye, o personagem de Norton protagoniza a pior cena de morte que já vi em um filme (nada explícita, mas sugerida com riqueza de detalhes suficiente para corações mais fracos). Embora para mim o filme caia no que escreveu Arnaldo Jabor sobre Sin City, (”isso que os americanos estão fazendo nas últimas décadas é o fim de toda inocência”) e se pareça em estilo com American Beauty quando se fala em americanos vendendo a própria miséria para o mundo, Norton de novo se refaz na monstruosidade de uma nova Ku Klux Klan para passar, no final, uma mensagem contra o ódio.
Um ano depois, 1999, enlouquece em Clube da Luta, baseado no livro de Chuck Palahniuk, com um personagem sem nome, um corretor de seguros referenciado em todas as pesquisas como O Narrador.
O Narrador, de Clube da Luta.
Não há transformação maior se comparado com os filmes anteriores, mas há uma mudança fundamental, Norton deixa de ser apenas mais um bom ator, passa a ser cultuado. É o ápice, o filme pelo qual será lembrado, até porque o filme é para ser lembrado. Depois disso, que mereçam citação, fez ainda “The Score“, “Death to Smoochy“, “25th Hour” e, o último que vi e motivo deste post, “O Ilusionista“.
Conta-se que Daniel Day Lewis afirmou que o legal em ser ator é a celebração de que dentro de cada um existem muitas possibilidades. Edward Norton é o novo Robert De Niro, que sai de cena com sucessivas interpretações de si mesmo - talvez tenha esgotado as possibilidades - para dar lugar à sua variação moderna, eventualmente desprovida de força, bem-humorada, louca ou levemente enigmática. Sou fã do cara.















