Britney Spears e as mudanças de pele da cobra

A humanidade tem uma mania mórbida, bater em cachorro morto, é o caso de Britney Spears e a apresentação no MTV Video Music Awards. Correndo e risco de me meter em uma encrenca ao atrair todo tipo de lunático com este post, não resisto ao comentário, às perguntas prosaicas.

Desde a noite do domingo, a menina é detonada por Deus e todo mundo - na verdade os ataques já vêm de um tempo, mas a apresentação no VMA teve algo de especial, pelo menos segundo as últimas críticas: Britney Spears estaria mal vestida, teve uma performance pobre e o playback não estava nem para play nem para back, um tanto fora de tempo.

Veja você primeiro, depois continuo.

Agora me pergunto, e a vocês, o que de fato mudou quando comparadas as apresentações, digamos, de há três anos e a do domingo 9 de setembro?

Mal vestida ela sempre foi, com aqueles modelitos… não diria de puta, mas outsiders, para usar uma palavra que fira menos os orgulhos (das putas) e ainda pareça rock´n´roll. Na verdade, sua obra-prima foi por causa das roupas, ou melhor, pela ausência delas quando resolveu ser flagrada sem calcinha. A única coisa digna de boa nota em tantos anos de estrada - e olha que, como se diz por aqui, o exibido nem era esses “balai todo”. Então, se ela se vestia mal em 2004, qual o problema de se vestir mal em 2007?

Grande dançarina também nunca foi. Tire a releitura de um cruzamento de estilos entre Paula Abdul e Madonna que sobra um Leonardo Fontes da dança, um doente do pé. Spears nunca teve na dança mais alma do que qualquer menina mais treinada em bailes funk poderia desenvolver. Então, qual é a dos críticos de agora, são todos novatos? Nunca viram nenhuma apresentação da moça e resolveram, finalmente, fazer uma crítica séria?

E o playback? É novidade para quem que Spears usava e abusava? Se até há pouco tempo era aceitável, que novo paradigma, que revolução aconteceu na moral e na ética da produção musical no mundo para playback tornar-se uma atitude reprovável das musas de ocasião?

Ver uma queda desta espécie, porque é uma queda, é como presenciar uma cobra que muda de pele, é um movimento natural como a renovação da folhagem de uma árvore quando muda a estação.

Não é que a qualidade musical e performática tenha caído - a regra é que se mantenha média para alcançar o público médio, a grande maioria -, não é que os consumidores, os fãs, numa espécie de epifania, de repente perceberam a mediocridade do ídolo. É a indústria, e sua economia bem própria, que resolveu se renovar. Dá para sentir as mudanças na luz e no volume do som que forçam a saída de cena de uma atração para a entrada da próxima.

E os críticos, esses que antes adoravam Spears com a uma promessa de diva, são só porta-vozes dos desejos dessa cobra, que sem mais nem menos, decidiu partir para outra, na maior, sem aviso prévio ou qualquer apego.

P.S.: Leave Britney alone, SHE IS HUMAN

Vi este vídeo algumas horas depois do post publicado. O embed original no Flick Life não funcionou bem aqui, resolvi manter a… coisa no meu servidor.

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É… não é que… umpft… enfim.

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