Os desenhos infantis de hoje são melhores que os de antigamente

Leão da MontanhaNão tenho o saudosismo de que tudo na infância é melhor que na vida adulta, embora quando criança tenha vivido situações inesquecíveis, como de resto, todo mundo.

No rol de lembranças e apegos, desenhos animados são o exemplo mais controverso quando criticados, basta dizer que o Leão da Montanha era uma franca biba para ser atacado por uma horda de homófobos, como se a homossexualidade do Leão fosse defeito ou má influência.

PernalongaBote na roda Pernalonga, Coiote, Pica-pau, Ligeirinho, Frajola e Piu-Piu, Tom e Jerry e dezenas deles, quase todos sádicos, longa lista. Lembro de um episódio de Pernalonga na Idade Média, em que a decapitação de Gaguinho é sugerida como troféu de vitória do coelho. Para os adultos que assistiram quando pequenos é uma lembrança cálida, talvez esqueceram o impacto, talvez relevem o trauma em nome de uma história pessoal ou vai que gostaram da mensagem, afinal, quem não é um pequeno Lúcifer aos 10 anos?

É quando digo “sadismo” que a turba se revolta, argumenta que os meninos não percebem a crueldade, como se fossem um bando de idiotas. É normal que não exista em suas cabeças, apenas, a dimensão real da palavra, mas a percepção do cruel está lá. Eu percebia, e não havia nada de especial em mim na época.

Caverna do DragãoEm raras exceções, caso de Charlie Brown e Caverna do Dragão que tinham uma narrativa, os desenhos que vi na década de 80 representam o que existiu de mais cínico e cretino, não havia o respeito pela inteligência das crianças como os de hoje, nada mais que um amontoado de quedas, acidentes, erros, escatologia e pantomimas, a estrutura do humor primitivo. Eu sofro, você manga de mim, era a graça.

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Os Padrinhos Mágicos

Timmy, Wanda e Cosmo elaborados por Butch Hartman são os personagens de um desenho cheio de moral e ao mesmo tempo caótico. O garoto, personagem principal, não precisa dos pais para viver suas fantasias - como de fato nenhuma criança precisa. Pais são meros acessórios, fornecedores e servidores, o máximo que eles devem fazer é não foder com as cabeças dos filhos.

O desenho é contraditório por adotar o politicamente incorreto para chegar ao senso comum. E, claro, tem seus momentos de fofura.

Bob Esponja

Não sei como enquadrar Bob Esponja, juro.

Coragem, o Cão Covarde

O Coragem de John R. Dilworth não é um desenho animado comum. Do primeiro ao último episódio é sombrio, macabro e perturbador. As lições de moral, quando existem, estão no mesmo universo da moradia dos personagens, Em Lugar Nenhum.

O cachorro, covarde no título, protótipo de anti-herói e que vence as próprias limitações, não é admirável. Muriel, a ingênua e bondosa proprietária do cão, é admirável e um doce. Eustáquio, o velho e rabugento marido, é um horror, paspalhão. Mais o quê?

Boa narrativa. Não há um só Coragem que não tenha uma boa história, são contos, pequenas obras de arte de terror e poesia. Minha paixão (agora declarada) por Coragem vem do episódio The Last Starmakers, sobre lulas siderais que, diferentes das marítimas, não soltam nanquim, mas estrelas.

Um PS

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