Entrar no mercado de trabalho não é tão difícil quanto se pensa
Os mais velhos, principalmente pais e mães, gostam de falar para os mais jovens que o negócio hoje em dia está feio, que conseguir um emprego é difícil e que a concorrência é bem maior hoje que em sua época. Parte disso é pressão sincera, outra parte é medo deles próprios, mas o resto não é tão verdade quanto os alunos de segundo grau ou da graduação pensam. A concorrência continua baixa, para quem é minimamente bom.
Este texto é quase que uma continuação do post O mito do texto curto na internet, não pelo assunto central, mas por ser uma das minhas respostas às dúvidas de alguns estudantes de jornalismo que eventualmente aparecem. Como não sou um guru, quero antes deixar claro que tudo escrito aqui é baseado apenas em vivência pessoal, não no estudo aprofundado do assunto. É basicamente uma opinião particular, um recorte.
Periodicamente, faço processos de seleção para estagiários em jornalismo, que consiste em um texto, um pouco de Photoshop e conhecimentos de internet (habilidade em sistemas de gerenciamento de conteúdo, que pode ser até de blog, e noções de HTML).
Nada elimina mais candidatos que o texto, em que se mede não apenas estrutura e correção, mas também conhecimentos básicos como o que é FGTS, OAB, atualidades como quem é o presidente do Senado, da Câmara, quem é o vice-governador do estado ou sobre os fatos que estão em debate no país. Poucos estão antenados o suficiente para passar em um teste supostamente tão elementar. FGTS, por exemplo, é uma sigla pegadora, meninos de 18 anos sabem mais sobre o Orkut que sobre a burocracia do país. Para dar um exemplo recente, tão recente quanto hoje, ouvi a seguinte pergunta: “quando a Coelce [Companhia Energética do Ceará] aumenta o preço da energia é só no Ceará, né?” Para esse a concorrência será feroz.
Não se pede muito para colocar alguém para dentro, apenas o elementar, como escrever corretamente “obsessão”, “excesso”, saber que o Big Bang não foi a explosão que causou a extinção dos dinossauros e algum contato com a vida política e econômica de onde se vive. Nada que uma inteligência mediana atenta não saiba.
Portanto, para quem está preparado, mesmo que elementarmente, a concorrência não é tão diferente da época dos mais velhos - na tempo deles que liam mais e estavam mais preparados que a média de hoje. Meter as caras nos livros e nos jornais é 90% de uma vaga garantida em uma redação, daí para frente é desenvolvimento pessoal e trabalho duro.















