Qual é a da polícia?
Quer uma crônica de morte anunciada? Alguém faz uma denúncia de extorsão, a Polícia Civil prende o acusado, um agente dos próprios quadros:
Policial civil é preso por crime de extorsão
O inspetor da Polícia Civil, Paulo Bezerra Furtado, lotado na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC), foi preso, em flagrante, na tarde de sábado último, acusado de praticar crime de extorsão contra um cidadão. Ele recebeu voz de prisão do próprio superintendente da instituição, delegado Luiz Carlos Dantas; e do titular da DRFVC, delegado Romério Moreira de Almeida. O inspetor, que pertence à mais nova turma de policiais civis e ainda cumpre o estágio probatório (de três anos), foi autuado, no plantão do 34º DP (Centro) e recolhido na Delegacia de Capturas e Polinter (Decap).
A matéria tem repercussão regional suficiente para ser uma das mais comentadas no Diário do Nordeste. De um leitor, recebe um vaticínio óbvio e funesto:
Policial civil é preso por crime de extorsão. A Polícia Civil foi elogiada pela prisão de Paulo Bezerra Furtado, acusado de extorsão. Um leitor cobrou proteção policial para a vítima que fez a denúncia e completou: “logo, logo, o policial estará livre, solto, lépido e fagueiro ameaçando de morte ou até matando quem o denunciou.”
O desfecho trágico e lógico (menos para a polícia, claro) se cumpre:
Comerciante é assassinado com seis tiros em Fortaleza
A Polícia Civil abriu hoje um inquérito para investigar a morte do comerciante Rogério Mendes Costa, assassinado com seis tiros, nesta manhã, no bairro Vila Pery, em Fortaleza.O comerciante morreu três dias depois de testemunhar contra o inspetor da Polícia Civil, Paulo Bezerra Furtado, que trabalhava na Delegacia de Roubos e Furtos de veículos e cargas. No último sábado, o inspetor foi preso acusado de extorsão, depois de ser reconhecido pelo comerciante.
Para os devidos créditos, quem escreveu primeiro sobre o assunto foi o Glacial.
Me repetindo: qual é mesmo a da polícia?













