Seminário avançado debate modos colaborativos de divulgação e circulação cultural
Por Leonardo Fontes no dia 20 Jul, 2007 em Ceará, Fortaleza, Tecnologia
Dá licença para um Ctrl C + Ctrl V descarado em um release que acabei de receber, mas é que ele pode interessar a alguns leitores.
FORTALEZA - O Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro - fone: (85) 3464.3108) realizará nas próximas terça e quarta-feiras (dias 24 e 25), às 18 horas, o seminário avançado “Modos colaborativos de divulgação e circulação cultural”.
Os conferencistas convidados do seminário são dois coordenadores de comunidades digitais: José Marcelo Zacchi, fundador e diretor do portal Overmundo, na terça-feira, 24; e Rodolfo Sikora, criador do iJigg.com, na quarta-feira, 25.
O seminário conclui a etapa do II Festival BNB da Música Instrumental em Fortaleza, iniciado na capital cearense no último dia 10. O encerramento do Festival acontecerá no próximo sábado, 28, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri, em Juazeiro do Norte, região Sul do Ceará. A partir de quarta-feira, 25, serão realizados, na próxima semana, um total de oito concertos de grupos do Ceará, Paraíba e Pernambuco, no CCBNB-Cariri.
Detalhando a temática do seminário
A expansão incontível do alcance e das possibilidades da Internet - e com ela, dos recursos de distribuição e circulação de cultura (idéias, informações, obras) - é dessas novidades que convidam irresistivelmente ao debate, no balanço necessário entre oportunidades e incertezas.
A proposta do Seminário é de somar a este bom debate, destacando os horizontes abertos por novas ferramentas de produção colaborativa e difusão cultural - especialmente no universo da música -, surgidas no marco da chamada Web 2.0 e suas comunidades digitais.
Para isto, o Seminário parte das experiências de sucesso dos portais Overmundo e iJigg.com, além de outros projetos inovadores, tendo como contraponto a circulação totalmente independente da indústria cultural oficial que vemos nas periferias brasileiras, produto de uma inclusão social conquistada.
A experiência do Overmundo
Lançado em 7 de março de 2006, o Overmundo é um site cultural colaborativo, onde pessoas de todo o Brasil e do mundo podem postar textos, imagens e músicas que retratem a produção cultural da sua cidade ou da sua região, mostrando, principalmente, o que não encontra espaço na mídia convencional.
Para participar, basta se cadastrar gratuitamente no portal. A partir daí, o usuário está fazendo parte da comunidade digital, o que lhe permite publicar textos e disponibilizar suas criações na forma de artigos, entrevistas, críticas, teses, fotos, obras de artes visuais e eletrônicas, canções, podcasts e filmes de caráter autoral, de modo que os demais usuários podem fazer download e reutilizá-las.
O overnauta também pode contribuir com informações para a agenda de eventos, publicando a programação de sua cidade no calendário cultural do País, e o guia da sua cidade, que traz sugestões de serviços, lugares, festas e atividades nos municípios.
No Overmundo, cabe aos próprios internautas decidirem o que será incluído e o que será destaque. Todo arquivo fica 48 horas na fila de edição, onde estará sujeito à avaliação e receberá as sugestões dos outros usuários. A publicação está vinculada a esta aprovação. Contando hoje com 17,3 mil usuários cadastrados, o Overmundo foi desenvolvido pelo antropólogo Hermano Vianna, os advogados Ronaldo Lemos e José Marcelo Zacchi e o produtor cultural Alexandre Youssef.
A experiência do iJigg.com
Criado em janeiro de 2007 pelo desenvolvedor em informática cearense Rodolfo Sikora, 27 anos, o iJigg.com é um portal de distribuição da música independente na Internet. Espécie de You Tube da música, provocou um boom de 1,3 milhão de acessos na primeira semana de lançamento.
O projeto foi formatado a partir do conceito de Web 2.0 - a tendência atual de conteúdo colaborativo na Internet. Os próprios usuários decidem o que é destaque, através da participação via votação e comentários.
Experiências de web 2.0 como o iJigg.com e o Overmundo têm se disseminado pela Internet. Hoje, isso é uma tendência clara. A par da idéia, o cearense Rodolfo Sikora criou o iJigg em parceria com o indiano Zaid Farooqi e o bengalês Monjurul Dolon.
Residente em Fortaleza, Rodolfo desenvolve o site a partir dessa noção da Web 2.0 como uma ferramenta tecnológica prática para distribuição da música independente. O iJigg surge com a finalidade do livre acesso à cultura e da oportunidade de projetar novos artistas que, mesmo sem suportes comerciais de produção, conseguem visibilidade.
A experiência é eficaz. Na primeira semana, uma única canção foi escutada cerca de mil vezes em apenas 12 horas (uma média superior a 80 acessos por hora), sem qualquer apelo de massa, midiático ou de referências consagradas: o site tem a política de orientação para evitar a veiculação de músicas sem a autorização do titular dos direitos autorais. No início de maio de 2007, o iJigg já contava com a média de 60 mil acessos únicos por dia.
O iJigg.com ganhou apelo midiático e reconhecimento na cena pública, para além da Internet. Canais consolidados como a MTV, Info Exame, Bizz e o Portal iG já repercutiram a idéia. Em abril último, o site foi selecionado, entre mais de 400 empresas concorrentes, para o programa de investimentos da empresa Y-Combinator, em Massachusetts (EUA). Com essa parceria, o objetivo de Sikora é consolidar o iJigg como empresa, fortalecer uma teia de contatos empresariais e captar investimentos.
A contrapartida da Y-Combinator é oferecer dicas para melhoria do site e para atrair grandes investidores. Trocando em miúdos, a experiência permitirá a formatação de um modelo de negócios para o iJigg.
Na conferência, Rodolfo Sikora explicará como o conceito e a referência de experiências como o You Tube e o My Space impulsionaram a criação do iJigg, e de que modo o projeto tem suas bases fincadas na promoção do artista independente, sem artimanhas que desvirtuem o conceito de prioridade à música em seu conteúdo mais sincero.
Segundo Sikora, o iJigg, desde sempre, mostra como não há sentido em explorar a Web 2.0 sob o viés cegamente mercadológico e regulatório. Rodolfo sublinha a necessidade de aplicação da tecnologia como efeito prático na vida do usuário. Na palestra, ele discorrerá sobre a Web 2.0 sem arrodeios técnicos e contará sua própria experiência pessoal de se dedicar a um projeto de livre acesso à cultura.
Eu vou.






