Acidente da TAM: uma, ou várias, opiniões sobre a morte por incompetência

lutojpg.jpgDesde ontem, minutos depois de saber pela cobertura da Band (que saiu na frente e manteve-se como a melhor por boa parte da noite), acompanho o desenrolar do acidente com o vôo JJ 3054 da TAM. Até as 4 da manhã da quarta-feira, estive entre CBN, blogs, agências de notícias e tvs à procura de notícias e informações úteis, assim como opiniões. O dia inteiro não foi diferente, nem muito menos fui o único. A consternação no País é profunda.

Assentada mais a poeira, diminuída a possibilidade de mudanças abruptas no que sabemos, o cenário fica um pouco mais claro para um apanhado geral do que aconteceu.

O título do artigo vem em parte do Josias de Souza, que escreveu o post entitulado Brasil produz uma nova causa mortis: incompetência. Endosso a opinião, na busca frenética por um culpado, um responsável, que a partir de agora se instala e deve estar em todas as pautas e conversas, nossa incompetência de solucionar a crise aérea, a incompreensível falta de sensibilidade em fechar um aeroporto que sistematicamente apresentava indícios de perigo (sem falar na localização geográfica absurda) é a grande culpada. Mas como a incompetência tanto é geral neste país quanto abstrata, as primeiras hipóteses e teorias surgem ainda no apagar do incêndio:

Em outro país, daqueles reconhecidos como mais sérios (desculpa a falta de patriotismo, é muito complicado desenvolvê-lo) toda uma rede de autoridades renunciaria, da Anac ao Palácio do Planalto. Em algumas culturas, veríamos uma sessão de Seppuku em grupo como reconhecimento de um erro terrível, uma forma de recuperar a própria honra perdida no campo de batalha ou como sinal de lealdade do samurai ao seu senhor. Mas não temos samurais, mas uma cadeia hierárquica omissa, que no hábito irresponsável de jogar a batata quente para tantas mãos, permitiu a morte de 200 pessoas. É um caso que está mais para assassinato que para acidente.

A cobertura

Gafe do UOLA Globo comeu terra. Deu um flash logo após o acidente e voltou apenas na edição atrasada em meia hora do Jornal Nacional. Grandes coberturas da Band, Record e, não para variar, CBN. Na internet o G1 reproduziu a morosidade já apresentada pelo grupo Globo na TV e o UOL deu um banho, mesmo com a publicação fatídica de uma farsa de um leitor na quarta à tarde, na pressa de dar voz ao “jornalismo cidadão”. Pegou mal.

Ao que consta, a própria TAM atrapalhou em muito o trabalho jornalístico. E a lentidão na divulgação dos nomes das vítimas, divulgada apenas na madrugada da quarta-feira, horas depois do acidente, contribuiu para o desespero dos familiares e amigos. A televisão, de novo, demorou a informar.

A blogosfera

Há algo de jesuítico, de exageradamente culpado na blogosfera. Não foi apenas um post, mas vários, em que os editores criticavam o hype - palavra criada para rotular assuntos quentes abordados por “aproveitadores” e “oportunistas” em geral - que rapidamente se espalhou pela blogosfera. Para estes homens puros, qualquer um que fale sobre um famigerado hype, mais ainda quando sobre uma tragédia do tipo, é um sagüinário, está se beneficiando da desgraça alheia, acomodando-se no túmulo das vítimas.

A pureza da alma não imagina que existem milhares de pessoas tentando entender o que aconteceu, os próprios editores, o autor daquele post que conta apenas o fato, também está na busca de um entedimento da realidade. O que aconteceu? De quem é a culpa? Por quê? De quem foi a cagada?

Eles não percebem que mesmo os que realmente são mercenários (como, por exemplo, jornais, emissoras de TV, rádio, que não cobrem fatos de graça) têm uma importância real em informar, difundir no caos um sopro de ordem. Mas para estes puristas morais, melhor seria esconder nossos problemas como uma forma de fingir que eles não existem.

Além dessa moral torta, a blogosfera, no geral, seguiu o ritmo dos meios de massa, como as rêmoras de Joseph Rago, e uma disposição para o macabro. Houve, claro, inúmeras exceções, desde as puramente informativas às opinativas que deram uma luz, às vezes curiosa, sobre o acidente.

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