Reminiscências no meio da tarde
Não sei se isso é comum, imagino que sim, mas sabe aquela hora em que você, por um motivo desconhecido, um gatilho secreto, lembra de uma ocasião, de uma imagem ou sensação do nada? De uma hora para outra, um mecanismo qualquer da memória te mostra viva a lembrança de uma situação que de tão distante no tempo nem parece mais sua?
Na praia, acho que quando eu tinha por volta dos 11, 12 anos ou menos, era comum na minha cidade, em domingos de mar e sol quentes, pequenos aviões fretados, do tipo PT-alguma coisa, dar rasantes baixíssimas para jogar centenas de bolas amarelas publicitárias, se não me engano de uma loja chamada Armazém Paraíba. Era o suficiente para uma correria de criança tão alvoroçada, naquele redemoinho infernal de bolas caindo para todos os lados - incluindo o cúmulo do despedício quando elas se perdiam no próprio mar - que nada ficava intacto, nem barracas organizadas, nem mesas em pé, nem o juízo dos meninos, nem aquela tarde que tinha tudo para ser um tédio não fosse aquela chuva de bola amarela caindo do céu.















