“A parada gay é super família”
A frase do título esconde um preconceito, é como dizer “ele é um preto de alma branca”, no entanto dez entre dez héteros a utilizam para convidar outros héteros para paradas como a que aconteceu neste domingo em Fortaleza, ou justificar a presença. Às escondidas no preconceito, eles, esses “outros” chamados de gays, são uns pervertidos, mas a festa de sua afirmação é “família”, apropriada para os “normais”.
O establishment, o status quo, a turma que anda deixando o mundo do jeito que tá, os que usam de artifícios como “vamo, cara, é super família”, os amedrontados pelo que não se sabe ou pela incapacidade de aceitação desses outros, não vêem ou não querem ver um dos mais belos movimentos sociais de inclusão, talvez um dos poucos efetivos nesse mundo velho de meu Deus cada vez mais intolerante.
Enquanto igrejas, seitas e políticas criam regras de participação, códigos de moral e conduta, o movimento gay agrega pretos, brancos, tortos, direitos, mães, filhos, mulheres, gente de todas as idades, bêbados, sóbrios, feios, bonitos, ricos, pobres, a crença, o secular e heteros em um conjunto que consegue, no turbilhão de 800 mil criaturas, dançar em paz - sua única regra.
Não se exige que você vista preto, branco, roupas longas ou curtas, se você está no segundo, terceiro ou quinto casamento, se você abortou, se gosta de sexo no escuro ou no claro com ou sem anticoncepcional, não interessa nada além da sua capacidade de aceitar diferenças e viver com elas em paz, essa danada de palavrinha com três letras ansiada por todo mundo.
Se existe alguma saída para a raça, ela está em idéias do tipo. Nada mais Jesus Cristo que uma boa parada gay.















