Forró e machismo
Por Leonardo Fontes no dia 1 Mai, 2007 em Música, Política
Se as leis de defesa das mulheres fossem tão rígidas quanto a dos negros, muitos cantores de forró já estariam presos.
Link para download Viciado em Putaria, Aviões do Forró
Link para download Amor de Rapariga, Sirino e Sirano
Não é que nunca houve machismo na música brasileira, tome por exemplo Amélia, símbolo da subserviência feminina, ou tantas outras da Bossa Nova, mas no forró que estoura nas paradas de sucesso sob selos como Aviões do Forró, Calcinha Preta, Banda Calypso e inúmeros similares, o machismo velado pela melancolia, saudade ou dor de cotovelo chorada deixa o palco para entrar a degradação.
O herói do forró estilizado é o macho raparigueiro que louva a “gata” como “puta” e diz que o segredo com as mulheres é o dinheiro:
Sou viciado em puta, em putaria / Comigo não tem chororó nem agonia / Sou viciado em puta, em putaria / A minha vida é só amor só alegria / Eu amanheço o dia farreando e forrozando com uma gata do meu lado é dois pra lá e dois pra cá / Eu vou pra cama com ela na bagaceira passo a marcha de primeira e boto a máquina pra gerar / Beijo a morena arrocho a loira e a coroa levo numa boa porque quero aproveitar / Sou da zueira sou o bom e chego cedo com mulher não tem segredo é ter dinheiro pra gastar - Viciado Em Putaria, Aviões do Forró
Em “Amor de Rapariga”, aqui no post cantada por Sirino e Sirano, são na verdade duas músicas. Na primeira, da Banda Calypso, a mulher legítima fala diretamente para a rapariga e defende seu homem. Na segunda, da letra a seguir, o homem em questão responde, com o louvor do amor da amante:
Amor de rapariga / É que é amor / Amor de rapariga / É bom demais / Amor de rapariga / Não tem confusão / Não tem briga não / Só existe paz / Ela não é santa / Tu também não é / É a Julia Roberts / Linda mulher / Não é estressada / Como você é / Não é abestarda / Entenda o que quiser / Amor de rapariga é bom demais / Faz parte da minha vida / Eu tô correndo atrás. - Amor de Rapariga
Como bem lembra André Dib em texto no Overmundo, o forró de massas, apelidado de estilizado ou lambada erótica, não tem mais nenhuma relação com o imaginário nordestino, perdeu a poética tão queridas por Gonzação e Jackson do Pandeiro.
Mas além do debate estético, é surpreende o quanto o feminismo não teve o mesmo sucesso do movimento racial ao estabelecer salvaguardas legais contra a discriminação. Qualquer banda forrozeira, ou o estilo que for, que componha baseada em estereótipos racistas, tem um processo judicial garantido em lei. Mas o machismo repercute nas casas de show como atração garantida de mulheres, que marcam presença em peso. O que em uma das assim chamadas minorias foi absorvido como direito, na outra é um detalhe, uma frescura ideológica, quando muito.
Será o caso de dar razão a outro estereótipo, de que as maiores responsáveis pelo machismo são as próprias mulheres?





Sou viciado em puta, em putaria / Comigo não tem chororó nem agonia / Sou viciado em puta, em putaria / A minha vida é só amor só alegria / Eu amanheço o dia farreando e forrozando com uma gata do meu lado é dois pra lá e dois pra cá / Eu vou pra cama com ela na bagaceira passo a marcha de primeira e boto a máquina pra gerar / Beijo a morena arrocho a loira e a coroa levo numa boa porque quero aproveitar / Sou da zueira sou o bom e chego cedo com mulher não tem segredo é ter dinheiro pra gastar - Viciado Em Putaria, Aviões do Forró

Bender | 1 Mai, 2007 | RespondaCultura popular é isso aí, reflete a idiotice geral da nação.

Rafael Dourado | 1 Mai, 2007 | RespondaMúsica fácil, letraa fácil, dança fácil e… mulher fácil.
O tango argentino, que é foda de dançar, não tem letras assim.
Será que brasileiro (e americano, já que o gangasta rap segue a mesma linha) tem algum dispositivo que desliga o cérebro na hora de se divertir? Sempre desconfiei disso.
Vai ver é que nem a uretra, só passa esperma (prazer) ou urina (trabalho), mas nunca ambos.
Ou não…
Acabei de acordar, devo estar falando besteira.

Antonio Daniel de Souza | 1 Mai, 2007 | RespondaDesliga cérebro quem os tem. Essa geração forró (isso ai é música?) é totalmente alienada, só se preocupa com os nomes das bandas, e é o único assunto que encara, além do futebol.(peladas) Me respondam agora, no momento, quem faz música aqui em Fortaleza? Não me refiro aos antigos já consagrados, Fagner, Ednardo, Belchior, etc…Se chego em um local que esteja tocando esse bagulho, eu dou meia volta. Se estou em um local e iniciam esse tipo de barulho, eu me retiro.

Nivaldo Ribeiro | 1 Mai, 2007 | RespondaOlá Leonardo… mas isso são duas “obras primas” meu amigo! Sendo que o significado de “obra” aqui, é aquele mesmo também conhecido por escrementos….
Um abraço

Leonardo Fontes | 1 Mai, 2007 | RespondaNivaldo: na verdade existem várias “obras primas”. Quando comecei o post, em uma pesquisa rápida e de por quem não tem a menor intimidade com o forró como eu, consegui juntar três ou quatro músicas a mais que as citadas no post. O forró tem sido um campo fértil para esse tipo de coisa. Infelizmente.

Rafael Dourado | 1 Mai, 2007 | RespondaAh, existem bandas boas sim em Fortaleza como 2fuzz, Marajazz… Mas bandas que tocam forró de verdade está difícil. O que é até óbvio, já que ninguém em Fortaleza respeita alguma tradição.
Depois ninguém entende porque Recife é anos-luz mais desenvolvido que Fortaleza. O respeito à cultura é incrível por lá.
Vocês já pararam pra prestar atenção no que eles conversam? Tenho uma amiga que está tentando salvar a própria alma saindo desse mundo do forró. Vez por outra ela conta como é o esquema das amizades “forrozeiras” dela. Ela diz que todos saem juntos todo final de semana, mas ninguém tem uma relação mais forte com ninguém. Por exemplo, se alguém chega na turma e diz que está com um problema a reação geral é: “vamos nessa então tomar todas e esquecer tudo isso”.
Realmente, parece que o cérebro está desligado. Vai ver uma descarga elétrica melhora.

Leonardo Fontes | 2 Mai, 2007 | RespondaEu só fui a um forró desses modernos, no extinto Siqueira Clube, que era o inferno na terra, então não posso falar muito das relações do público. Mas o fato é que forró é point de paquera, campo de caça, imagino que a profundidade das amizades não vá muito além de pegação.

manu barroso | 2 Mai, 2007 | Respondaé triste, mas é verdade….

Sônia de Melo Feitosa | 3 Ago, 2007 | RespondaEstou na fase de construção da minha monografia, e escolhi escrever sobre a degradação do feminino nas letra das músicas de forró, gostaria de receber email de trabalhos relizados nesta temática.
Abraços,
Sônia

Leonardo Fontes | 3 Ago, 2007 | RespondaSônia, não conheço nenhum trabalho do tipo. Tenta pesquisar no Google especializado em trabalhos acadêmicos, o link é http://scholar.google.com/

fabio | 9 Mar, 2008 | Respondae uma pena que a nossa sociedadese rendeu a um bando de empresarios sem escrupulos que colocam estas bandas horriveis para tocarem em radios com letras pornograficas com aceitacao das radios que recebem jaba.