�rea de VIPs é um estraga-shows

2007 Abril 29
by Leonardo Fontes

Hoje fui ao show de Caetano Veloso no Parque do Cocó promovido pelo shopping Iguatemi por conta dos seus 25 anos. Há muito tempo não vou a um, tenho terror de multidão. Desta vez, fui com um convite para a área VIP, coisa que eu não conhecia, desvirginei.

Perto do palco, alguns gatos pingados (me incluindo) com o privilégio de ver de perto o ídolo em uma área fechada, cercada para impedir que o resto das pessoas se aproximem o suficiente. Nos shows da época em que fui mais assíduo, não tinha disso. Os mais animados e dispostos se esforçavam ao máximo para fazer a festa com o cantor ou banda, configurando um processo de seleção natural de fãs e gente festeira que no decorrer se transformavam em atração e elemento essencial para um show bem sucedido, afinal o calor da música é retroalimentado pela resposta da turba. Hoje, parece que área VIP é comum.

Mas o VIP não é necessariamente o melhor público para fazer uma área pegar fogo. Os interesses e necessidades podem ser totalmente diversos dos de um espectador comum que esteja lá para louvar uma obra ou entrar no hedonismo da catarse. Eu mesmo sou o desânimo encarnado em organismo de base de carbono. Seja samba, rock, pop, techno ou música clássica meu passo de dança é o mesmo, no dois-para-lá e dois-para-cá contínuo de quem não tem um único átomo de ritmo nos pés. Em um show dos Rolling Stones para gente como eu, Mick Jagger morre de tédio.

Do lado de fora, os “comuns” se descabelam, gritam, choram, repetem as letras em coro, têm várias pequenas mortes súbitas a cada suspiro do cara que sua no palco para fazer uma multidão suar. Esse povo é que deveria ser considerado VIP, são eles que realmente fazem um espetáculo. Uma pena esse novo hábito.

Compartilhe:
  • BlinkList
  • del.icio.us
  • digg
  • Ma.gnolia
  • YahooMyWeb
  • Facebook
  • Google
  • LinkedIn
  • Pownce
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Slashdot
  • TwitThis