Pena de morte, aborto e homossexuais
Vou aproveitar a deixa do Rev. Ibrahim Cesar, do 1001 Gatos de Schrödinger, e escrever aqui o que eu comentaria no post “Pesquisa da Datafolha mostra o que pensa o brasileiro a respeito de temas polêmicos como pena de morte, aborto e união civil entre homossexuais“. No artigo, Ibrahim cita o resultado da pesquisa Datafolha sobre quatro tópicos: a pena de morte, a legalização do aborto, a união civil homossexual e a adoção de crianças por casais gays. Da matéria no G1:
- 55% das 5.700 pessoas ouvidas em 25 estados disseram ser favoráveis à pena de morte;
- Para 65% dos entrevistados, a legislação sobre aborto deve continuar como está, maior índice desde que a pesquisa foi criada, em 1993;
- 52% dos entrevistados são contra a adoção de crianças por casais do mesmo sexo;
- 49% é contrária à legalização da união civil entre homossexuais.
Alguns dos temas serão postos em plebiscito já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. São tão polêmicos, que ninguém está querendo tomar partido, vão deixar na mão do povo para decidir o que fazer. Embora eu compartilhe do otimismo político de Alex Castro sobre como serão interessantes os meses anteriores ao superplebiscito, fica complicado não ver uma certa convardia no discurso supostamente democrático dos caras, que fogem da raia quando é preciso defender posições antipáticas.
Deveremos votar sobre a legalização do aborto, a união civil homossexual, o financiamento público de campanhas e o fim do voto obrigatório. Pena de morte ficou fora.
O primeiro é de longe o mais complicado de tão filosófico. Quando se forma a vida? Se eu posso tirar a vida de um embrião baseado em minhas crenças pessoais, o que me impede de tirar a vida de um adulto? Qual é a diferença entre aborto e assassinato? A não ser que haja uma certeza científica sobre o início da vida do feto, a discussão será entre a crença cega das religiões e as convicções pessoais, também cegas, sobre o domínio e a liberdade do corpo. Por enquanto, a lei atual brasileira não dá motivo para modificação, a vida só pode ser extinta se ela ameaça a própria vida.
Decidir sobre a união homossexual é nada mais que optar entre excluir ou manter o estado na seara do particular. Qualquer voto a favor da proibição é a escolha pela manutenção do olhar de estranhos na alcova dos outros (entenda por “outros” todos os que não são “iguais”). Os únicos que terão resistência ao mérito são os descrentes no estado laico, que ainda confundem estado com religião, e, obviamente, os que morrem de medo de serem contagiados com a moda. Esses vão fazer um barulho ensurdecedor.
Embora a adoção de crianças por gays não vá a voto, a maioria contrária, que segundo o Datafolha é de 52%, talvez nunca tenha pensado como é fácil ter um filho e como é difícil adotar um. Qualquer psicopata, imbecil, desajustado pode gerar uma criança, mas a adoção é um dos processos mais longos da vara familiar. Facilitar a vida de milhares de crianças abandonadas no país não ocorre a ninguém, planejamento familiar que é bom, necas, mas quando é para aporrinhar um pequeno (?) grupo de pessoas, todo mundo se esbalda.
Quanto ao financiamento público de campanhas, a idéia cairá na lenga lenga do “não financio neguinho para me roubar lá na frente”. Pior que não é de todo sem razão. Prefiro transparência, saber quem chegou lá e pelas mãos - ou carteiras, cheques, cartões de crédito, wire transfer - de quem. Me negar o direito de doar para uma causa política é cercear meu poder de organização.
E finalmente o voto obrigatório, que é piada das sem graça. A ironia está em que todo mundo irá, obrigatoriamente, votar em pleno domingo, maior clima de praia, para decidir se vai perder outro domingo como aquele no futuro.














