Programas de afiliados e independência de conteúdo

O InformanteOs programas de afiliados inauguram uma nova lógica financeira na produção de conteúdo. Do Buscapé e Mercado Livre ao Adsense, da venda direta de produtos em “leilões” a buscadores de preço ou contextuais, os produtores de conteúdo têm à mão maneiras de gerar renda sem depender tanto de anunciantes diretos como dependem os meios tradicionais.

Não é incomum jornais, revistas, emissoras de TV ou rádio se curvarem de tal forma ao anunciante que o conteúdo fique comprometido em sua qualidade e isenção. Coca-Cola, shopping centers, corporações, governos e suas verbas publicitárias podem excercer controle, não de hoje, dos pequenos aos grandes meios de comunicação. A venda de leitores/espectadores é mais que apenas uma troca de audiência curta e grossa, como a compra e venda de um carro ou um apartamento, é também o que é conveniente ou não que essa mesma audiência possa saber, é uma venda de informações.

Talvez o exemplo mais conhecido esteja no filme “O Informante”, com Al Pacino e Russel Crowe, em que repórter e fonte enfrentam a pressão da indústria do tabaco. Um se depara com ameaças pessoais, o primeiro vê a estrutura do jornalismo que lhe dá apoio recuar no confronto com o poder financeiro de umas das mais ricas indústrias do mundo. O exemplo macro repete-se nos veículos menores de mídia tradicional, do jornalzinho de bairro silenciado quando o assunto toca nos pequenos comércios locais, aos de médio e maior porte, que silenciam quando notícias incovenientes rondam anunciantes de porte equivalente. Não se vende apenas grupos de pessoas, mas também a que tipo de informação esses grupos terão acesso.

A nova lógica dos programas de afiliados, contextuais ou de venda direta, elimina a negociação entre autores/meios e os donos das verbas publicitárias. Um código simples, inserido nas páginas certas e com as técnicas certas, permite que um blogueiro, por exemplo, escreva mal sobre a Pepsi e seja, ainda assim, patrocinado por ela. O personagem de Al Pacino em “O Informante” poderia escrever todo o podre apurado sobre a indústria de cigarros e inserir links para tabacarias sem jamais sofrer qualquer pressão contra a isenção de seu jornalismo.

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