Claro que é preconceito contra os evangélicos

crente.jpgNa semana passada, a Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Planejamento Urbano em Fortaleza, por ordem do titular José Francisco de Oliveira Filho, decidiu que os templos religiosos não estão imunes à lei do silêncio. A notícia não foi bem recebida pelos evangélicos, atingidos diretamente pela canetada, que acusaram a decisão de preconceito. Embora eu vista a camisa da campanha “seja um crente descente, não grite no ouvido da gente” e tenha horror a fanático, eles não deixam de ter razão no caso.

Os alvos da medida não são a Igreja Católica e seu movimento carismático, tão barulhento quanto qualquer culto evengélico, nem a zoada de festas, boates, bares e afins, ou as criaturas que instalam em seus carros equipamentos de som mais apropriados para comícios, ou estádios de futebol… Lembro que durante anos, uma micareta local chamada Fortal ocupou áreas residenciais, sofreu questionamento legal em todas as edições, mas nunca foi realmente alvo da lei do silêncio até a posse da atual prefeitura de Fortaleza, quando só então precisou mudar de lugar.

Cotidianamente durante o Campeonato Cearense, no Benfica, bairro onde fica o Estádio Presidente Vargas e essencialmente residencial, existe abuso de som pelos bares dos arredores e pelos torcedores e seus carrões cafuçus - como vizinho, nunca vi uma apreensão sequer, multa, ameaça de multa ou fiscalização para controlar a poluição sonora. Vá proibir esse povo de fazer barulho, é o estopim de uma revolução. Vá mexer com os brios da Igreja Católica, dos Queremos Deus eventuais que poluem tanto quanto qualquer jogo de futebol e mais que qualquer culto evangélico.

Enquanto a medida não for aplicada a todos, em qualquer situação, para qualquer público, sem discriminação de classe, cor ou time, os evangélicos terão razão, a medida é preconceituosa e tem alvo certo, eles e apenas eles.

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