Internet e a crise dos jornais
Três notícias desta semana retomam indícios da crise dos jornais frente à internet. São elas, em ordem cronológia:
- Problemas no “NYT” provam a crise dos jornais diante da internet
- Jornais perdem para internet nas escolas americanas
- Meios digitais já são mais consultados do que convencionais
Para poupar o tempo da leitura, as principais informações são as seguintes:
- O New York Times declarou prejuízo trimestral de US$ 648 milhões em dois jornais do grupo, o Boston Globe e o Worcester Telegram & Gazette;
- O grupo editorial McClatchy venderá o Star Tribune por US$ 530 milhões, metade do preço de compra;
- A empresa de consultoria Challenger Gray & Christmas revelou em estudo que os cortes de pessoal de imprensa cresceram 88% em 2006, nos EUA;
- 75% dos professores americanos afirmam que jornais impressos são o meio menos apreciado pelos alunos;
- Relatório da União Internacional de Telecomunicações afirma que na faixa entre 18 e 55 anos, são gastas 16 horas semanais com mídias digitais, 13 com televisão, 8 com rádio e apenas 5 com leitura e cinema. 1
Embora a internet não seja a única culpada pelo decréscimo na leitura dos jornais, que também têm sua parcela de culpa 2, o acesso cada vez mais fácil, tanto em termos de conhecimento quanto de preço, é uma ameaça que se desdobra em números como os de acima. Para os jornais, o desafio será diferente do que a televisão ou o rádio deverão enfrentar, é mais do que apenas adaptar-se a um novo formato, é esquecer a própria natureza do meio.
Dentre as soluções, ou tentativas, mais comuns, está a fusão das redações do online com o impresso: dois veículos trabalhando na mesma área, ou eventualmente vários, com TV e rádio. É um passo importante. Grupos de comunicação de porte como o Estado de São Paulo são pioneiros. Mas de pouco adianta duas equipes fisicamente unidas e estrategicamente separadas.
Toda a crise não está no fim do papel, na extinção do suporte, mas em como os produtores de informação, pessoas físicas e jurídicas, sobreviverão 3. Compreendendo o problema dessa forma, ou seja, o papel é secundário como produto e o que importa é a informação e o lucro que se conseguirá com ela, o Los Angeles Times inverteu a lógica no caminho para uma solução: o online agora é o principal meio de distribuição de conteúdo (o impresso é apenas um resultado dele) e criou-se um processo de treinamento que o editor James E. O’Shea chama de “Internet 101″, responsável por ensinar os mais de 800 jornalistas a produzir matérias em texto, som e vídeo.
A seguir o exemplo do LATimes, é preciso que as empresas que hoje trabalham no mercado e que se sentem em meio de uma crise comecem de fato a ver a internet como potencial de lucro, não como mais um concorrente para as tiragens de papel, mas como um filão para se fazer dinheiro. 90% dessa crise é resistência cega à mudança, que empata o aproveitamento de oportunidades.
Outros recursos
- Sobre a crise dos jornais - opinião do leitor
- A crise nos jornais impressos
- A imprensa em crise - Grandes jornais não enxergam a saída
- Mídia em debate: Paulo Henrique Amorim analisa mídia e eleições 4
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- as informações são do cenário americano, mas é sempre bom lembrar que, se nenhum grupo político ou lobby econômico resolver levar o Brasil a dez anos no passado, o crescimento do acesso é uma tendência real e os números serão equivalentes. [↩]
- cito: pouca diversidade de opiniões e visões de mundo que nasce dos mecanismos comerciais antiquados - há uma monotonia de diálogo frente ao fluxo de informações e pontos de vista da internet; o longo percurso entre o fato e a publicação, sempre dependente do tempo da impressora, um problema de meio impossível de ser solucionado; o suporte ecologicamente incorreto e os limites geográficos da distribuição que geram mais atraso quanto maior a distância do público. [↩]
- se a crise está em manter o jornal com o suporte físico do papel, então as empresas vão desaparecer em 20 ou 30 anos. O papel é o real problema dos jornais hoje: pouca mobilidade, não tem conectividade, não é atualizável e é um insumo caro e sujo. Se a idéia é manter o jornal com suporte físico, será preciso inventar outra coisa que não papel ou um papel diferente. Mecanismos, que em certa medida, já existem, menos o tal do papel fluido, ainda. [↩]
- é sintomático que os links sob o intertítulo “Outros recursos” sejam blogs ou temas criados por leitores em fóruns. Não foi seleção minha, foi coisa do Google. [↩]















