RSS vicia e faz mal à saúde

rss_logo.jpgDescobri as vantagens do RSS mais tarde do que muitos amigos, mas foi amor à primeira vista. Era perfeito, bastava um leitor, cadastrar uns links bobos e voilá, informações entregues na hora em que são publicadas, tudo fresco, com notícias, opiniões, vídeos, música, qualquer tipo de conteúdo de internet pulando na tela, a toda hora.

Mas a felicidadade virou um tormento, e o RSS atrapalha muitas outras atividades que antes eram hábito. Com 143 fontes de notícias assinadas (menos que muita gente que conheço assina) e o botão de “atualizar todos” acionado pelo menos uma vez por hora ao longo do dia, não sobra tempo para fazer muita coisa. À noite, só resta a sensação de não ter sido produtivo e a culpa de ter negligenciado tantos trabalhos ou divertimentos mais importantes que ficar antenando com o resto do mundo.

O primeiro impacto do uso de RSS foi a queda dramática em assistir televisão, mesmo com os cento e poucos canais disponíveis. Não sei ao certo se é realmente uma notícia ruim, mas TV agora excerce a mesma função de um rádio, informar a sub-consciência, porque o consciente está lendo os últimos posts nos blogs ou as última no G1. A culpa aqui não é tanto do RSS, mas da fluidez da internet… Quer saber? Culpa mesmo tem a própria televisão, que tem ficado cada vez pior, deixá-la era uma tendência inevitável, os feeds só terminaram o serviço.

O segundo, e esse sim uma má notícia, é que parei de ver a cota mensal de 20 filmes, um hábito delicioso, regado à pipoca ou a uma boa cerveja gelada. Ainda tento, alugo 15 a cada leva, vejo três. Um desperdício de dinheiro e incremento na culpa. Há dois anos, de três em três meses nada mais na locadora interessava, tudo já tinha sido visto, até que uma nova série de lançamentos chegasse. Hoje, não faço a menor idéia, simplesmente não acompanho mais cinema. Só notícias sobre ele, que me chegam pelos feeds de RSS.

O terceiro e pior impacto foi que parei de ler livros. Lembram daquelas coisas de papel, com capa e contracapa e no meio muitas páginas cheias de letras? Há um mês e meio tento terminar o “Para entender o poder“, do Noam Chomsky. Leio duas, três páginas por dia, na hora do jantar e meia hora depois dele (sabe como é, tudo que entra…). Além disso, livros só como apoio para o mouse, caso do T.S. Eliot, que me acompanha diariamente na cama, o mousepad de quem leio sempre as mesmas poesias.

Embora ver menos televisão não seja tão terrível, é até benéfico a tirar pela qualidade do que passa hoje em dia, cinema (mesmo que dentro de casa, concordo com o Roberto Maciel nessa) e literatura eram realmente duas grandes paixões, agora deixadas de lado. Tudo culpa das últimas notícias, dos hypes, dos vídeos mais engraçadinhos da web, das tecnologias mais modernosas e promissoras… Material que, para ser franco, não mudou para melhor em coisa nenhuma minha assim chamada vida real. Sem falar nos chopps de botequim com o amigos, trocados pela trepada da Cicarelli.

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