Google TV: os internautas brasileiros não são os mais idiotas do mundo
Por Leonardo Fontes no dia 29 Jan, 2007 em Tecnologia
Há dois ou três dias, correu pela internet um rumor sobre um novo produto Google, a Google TV, com a promessa de disponibilizar programas de televisão das maiores redes americanas, com seriados como House, Prison Break e a febre controlada Lost.
Para conseguir em primeira mão um convite para a “revolução”, a pessoa deveria copiar um link dentro do Gmail, enviá-lo para si mesmo, sair da conta e logar-se novamente até que surgisse, como mágica, a logomarda do Google TV. Por mais absurdo que possa parecer, a técnica pegou muitos, gente que tentou 40, 50 vezes, entrando e saindo do Gmail, sem, claro, sucesso algum. Como dica de boa diversão e prova, sugiro a leitura nos comentários dos dois vídeos no YouTube, aqui e aqui.
O hoax, criado por Mark Erickson (vídeo acima), não foi, como muitos blogueiros classificaram, bem elaborado. Qualquer idiota com mais de três neurônios perceberia que o modus operandi para adquirir o convite simplesmente não se encaixa em qualquer lógica. Era estúpido demais para ser verdade e só sob a afirmativa “é muito trabalhoso, logo existe” faria algum sentido. O problema crucial é que a internet, pelo menos a boa internet e nessa classificação a engenharia do Google está incluída, não prega a dificuldade como premissa de função, já que o internauta, muito antes de ser idiota (quando o é), é, sobretudo, preguiçoso - uma coisa deriva da outra.
Alegadamente, segundo alguns blogueiros brasileiros - na linha de frente pode ser citado o Morróida - , o internauta daqui é o mais idiota do mundo, e existem indícios sérios de que isso seja verdade. Bom, não concordo. Basicamente, entre os brasileiros e os americanos, que formam a grande maioria dos que caíram na piada de Erickson, existem dois cenários muito distintos: o primeiro não sabe sequer o que seja House, Lost ou Prison Break, porque o acesso a certas fontes de informação são exclusivas de uma casta econômica. O segundo cresceu com computadores à volta, respira tecnologia nos ambientes mais comuns, idolatra a Apple como a um deus e sabe que o House pode ser abusado, mas é um gênio. No frigir dos ovos, um tem uma desculpa sociológica amplamente mais aceita que a idiotia coletiva norte-americana, incapaz de entender nuances. Deve ser genético.






