Google TV: os internautas brasileiros não são os mais idiotas do mundo

Google TVHá dois ou três dias, correu pela internet um rumor sobre um novo produto Google, a Google TV, com a promessa de disponibilizar programas de televisão das maiores redes americanas, com seriados como House, Prison Break e a febre controlada Lost.

Para conseguir em primeira mão um convite para a “revolução”, a pessoa deveria copiar um link dentro do Gmail, enviá-lo para si mesmo, sair da conta e logar-se novamente até que surgisse, como mágica, a logomarda do Google TV. Por mais absurdo que possa parecer, a técnica pegou muitos, gente que tentou 40, 50 vezes, entrando e saindo do Gmail, sem, claro, sucesso algum. Como dica de boa diversão e prova, sugiro a leitura nos comentários dos dois vídeos no YouTube, aqui e aqui.

O hoax, criado por Mark Erickson (vídeo acima), não foi, como muitos blogueiros classificaram, bem elaborado. Qualquer idiota com mais de três neurônios perceberia que o modus operandi para adquirir o convite simplesmente não se encaixa em qualquer lógica. Era estúpido demais para ser verdade e só sob a afirmativa “é muito trabalhoso, logo existe” faria algum sentido. O problema crucial é que a internet, pelo menos a boa internet e nessa classificação a engenharia do Google está incluída, não prega a dificuldade como premissa de função, já que o internauta, muito antes de ser idiota (quando o é), é, sobretudo, preguiçoso - uma coisa deriva da outra.

Alegadamente, segundo alguns blogueiros brasileiros - na linha de frente pode ser citado o Morróida - , o internauta daqui é o mais idiota do mundo, e existem indícios sérios de que isso seja verdade. Bom, não concordo. Basicamente, entre os brasileiros e os americanos, que formam a grande maioria dos que caíram na piada de Erickson, existem dois cenários muito distintos: o primeiro não sabe sequer o que seja House, Lost ou Prison Break, porque o acesso a certas fontes de informação são exclusivas de uma casta econômica. O segundo cresceu com computadores à volta, respira tecnologia nos ambientes mais comuns, idolatra a Apple como a um deus e sabe que o House pode ser abusado, mas é um gênio. No frigir dos ovos, um tem uma desculpa sociológica amplamente mais aceita que a idiotia coletiva norte-americana, incapaz de entender nuances. Deve ser genético.

Leia também

Assine o RSS | Compartilhe!

Fechar
Envie por e-mail