O Pan-Americano é um evento privado
Esqueça a idéia idiota de que o esporte é um conceito universal e democrático, mentiram deslavadamente para você, caia na real.
Eventos como o Pan-Americano 2007, a acontecer no Rio de Janeiro entre 13 e 29 de julho, têm donos. No nosso caso: Band, Globo, Record, BandSports, ESPN-Brasil, SporTV, Rádio Bandeirantes, Rádio Itatiaia e Sistema Globo de Rádio. Está tudo nas mãos de apenas três grandes grupos de comunicação do país. São eles que comandam e fazem as regras e que, em última instância, também dão as cartas no Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Os contratos de cessão de direitos de transmissão são excludentes e, no caso da internet, totalmente proibitivos, um veículo online simplesmente não pode comprá-los, mesmo se tiver a grana.
A culpa não é diretamente do COB, que apenas segue uma diretiva tradicional do Comitê Olímpico Internacional em vetar toda e qualquer cobertura online desde que me entendo como jornalista de web (o termo webjornalista é feio demais para ser usado). Foi assim em 2004 e 2000, será no Pan também. Os portais sempre conseguem um jeitinho de se adaptar, usando o material oficial que o próprio COB distribui e respeitando o embargo de seis horas, ou seja, todas as notícias, resultados e reportagens não só são totalmente chapa-branca como só podem ir ao ar seis horas depois de terem acontecido. Jornalistas de web são proibidos nas instalações da competição.
A motivação por trás dessa lógica não é burrice dos organizadores, como se nada soubessem de internet. Eles entendem muito bem, tanto que Leonardo Gryner, um dos diretores do comitê, diz para qualquer um ouvir que a medida é uma proteção dos direitos das emissoras de TV, as acionistas do empreendimento, sem lembrar que muito dinheiro público garantirá (será) os jogos.
Em um mundo ideal, essa mercantilização do esporte não existiria, mas apenas em um sistema completamente diferente, ou os eventos seriam totalmente inviáveis sem o dinheiro pago por uma certa exclusividade pelos meios de comunicação. O modelo atual, de venda e compra, não é perfeito, mas tem funcionado. O caso não é esse, mas o suposto medo da competição que outros meios tanto sentem quando alinhados em condições iguais com a internet. Jornais impressos podem, rádios e televisão idem, mas quando se ventila a possibilidade de oferecer os mesmos termos para a mídia online, cria-se essa espécie de monopólio da informação. Ninguém deseja nada de graça, apenas ter participação no mercado e angariar a audiência de 35 milhões de possíveis leitores.
A boa notícia é que na internet até esse tipo de restrição pode ser contornada, ou será que vão proibir câmeras digitais nos estádios e que os espectadores escrevam a respeito em blogs?














