Adeus Momofuku Ando
Quantas vezes, na fome da noite e na necessidade da manhã, provei de tua comida e alimentei meus filhos com o sabor dos teus pratos?
Sentirei para sempre tua falta agora que estás morto, lamen para os vermes.
Sinto-me tão só.
Mesmo com os sabores que inventaste, os queridos galinha caipira, bacon, churrasco, legumes, camarão, caldo de feijão, caldo de carne de porco e o consagrado carne com tomate, como poderei viver sem a perspectiva de uma nova idéia tua?
Tantos momentos que esperava de ti! Na cama, entre o desperto e o sonhar, cheguei a imaginar: “Momofuku me dará um lamen de tapioca ou, quiçá, um de rapadura!” Me masturbei severas vezes pensando em como seria o tempero em pó da rapadura, intriguei-me, fiz cálculos, chamei as probabilidades, mas tudo em vão. Só tu seria capaz de engendrar a solução. Esperei.
E agora, conformado, sinto apenas saudade do futuro sem ti. Melancolia sem meu maior nutricionista, tu, Momofuku Ando, inventor do macarrão instantâneo.
P.S.: como ficará o projeto, já iniciado, do sabor farinha? Terá continuidade?














