Não elenco nada para defenestrar ninguém

2006 Dezembro 6

Existe uma velha máxima que proíbe a criação de qualquer palavra para dizer o que outra, que já existe, diz muito bem. O problema é que vez ou outra surgem alguns termos, sem origem clara, e que tomam conta do vocabulário até das pessoas mais instruídas. Vai uma listinha desses substantivos, verbos e anglicismos que soam estranhamente no ouvido dos menos acostumados, ou dos mais por fora da última palavra da moda:

  • elencar: é controverso. Alguns gramáticos defendem que o termo é válido se você se refere a listar participantes de uma peça de teatro ou filme, mas é proibido para problemas, dificuldades, características, raças de cachorro, itens do supermercado, marcas de shampoo … Ou seja, qualquer outra lista deve ser “listada” ou “arrolada”, não “elencada”. No entanto, o Houaiss registra o significado como “incluir (uma questão, um problema, um item) em meio a outros para ser oportuna e devidamente considerado, discutido, resolvido“. Uso, mas acho que vou direto para inferno sempre que a pronuncio;
  • bombar: geralmente usado quando o assunto é festa, “bombar”, quando ouvi pela primeira vez, me remeteu à imagem de alguém enchendo um pneu com uma bomba de ar. “Vou bombar na festa!!”, e já vejo a pessoa com um calibrador inflando o pneu da bicicleta entre uma música e outra;
  • workshop: muito conhecido entre os out da língua portuguesa como “seminário”;
  • coffee-break: cunhado por alguém com problemas sérios contra “merenda” e “intervalo para o café”. Presente em todos os folhetos de “workshops”;
  • background: termo usado por quem tem alergia a “conhecimento”. “Joãzinho da Silva tem background em cultura popular”. Foda-se, Joãozinho tem conhecimento sobre cultura popular.
  • defenestrar: existe, mas só se quem diz está falando sobre um assassinato (ou algo bem próximo). O termo significa exatamente “jogar alguém pela janela”, portanto, se eu defenestrar alguém no/do décimo andar, avisem à polícia. O erro existe quando o verbo é usado no significado de “excluir” ou “marginalizar”. Esqueça, quem defenestra, necessariamente, joga alguém pela janela;
  • benchmarking: no fundo, no fundo, é “cópia”. A definição mais próxima é “processo contínuo de avaliação e comparação do nível de desempenho das melhores empresas do mercado, com o objectivo final de obter melhorias de desempenho“. Mas é que marqueteiros (que é outra palavrinha sacana) e administradores não toleram admitir que copiam nada, aí inventaram um termo para disfarçar a falta de criatividade.
  • browser, hardware e software: antigos, não são novos, mais vulgarmente conhecidos como “navegador”, “equipamento” e “programa”.

É isso, é que deu para lembrar agora. Qualquer coisa, inclua a sua palavra nova predileta.

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