Nenhum tirano nasce do nada

2006 Novembro 6

Em plena guerra Irã-Iraque, em 1983, Donald Rumsfeld, hoje secretário de defesa do governo Bush e então enviado especial de Ronald Reagan ao Oriente Médio, encontra-se com Saddam Hussein em Bagdá, com quem troca afagos diplomáticos (veja o vídeo).

Rumsfeld representa, na época, o apoio americano ao governo de Hussein, que faria frente de batalha contra a Revolução Islâmica, liderada pelo Aitolá Khomeini. Hussein foi financiado para isso, recebeu armamentos e tecnologia. A guerra perduraria até 1988.

Um ano antes da visita de Rumsfeld, em julho de 1982, Saddam sofre um atentado frustrado na cidade de Dujail, a 35 km de Bagdá, elaborado por membros do Partido Dawa, que se opunha à guerra contra o Irã. Em represália, as forças militares do país matam 150 homens, 1500 pessoas são presas e torturadas, 250 mil acres de plantações são queimados e a cidade é totalmente destruída (seria reconstruída algum tempo depois).

Os fatos de Dujail são apenas um das acusações que levaram à condenação de Hussein por enforcamento. Os homens que hoje oferecem a estrutura de um tribunal especial para julgar o tirano, há pouco mais de 20 anos armaram seus exércitos, mesmo sabendo que tipo de homem ele era. Tutti buona gente. Agora, quem vai julgar os cúmplices?

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