Saudades que não tenho
Dois posts recentes em blogs amigos são o motivo deste terceiro: “Top 10: Os Melhores Jogos do DOS“, do Glacial, e “A (teen)chin - Parte II“, no Bang. Os assuntos tratados são totalmente diferentes, mas partes dos textos me chamaram a atenção, cito:
“Além de ser um verdadeiro refresco na memória, os jogos são “100% de grátis?. E pensar que eu passar horas e horas descompactando dezenas de disquetes pra jogar Blood. Bons tempos de ARJ e conexão discada.” - Glacial
“Podem me chamar de retrógrada, arcaica, mas sou de uma geração que começou a ver a MTV há mais de dez anos, quando a emissora pegava em Fortaleza no canal 54 UHF e era preciso bater na televisão ou colocar Bombril na antena para sintoninzá-la direito…” - Jux Kiddo
“Tempo rei, oh tempo rei! Sou do tempo de segurar a antena UHF, procurando a melhor sintonia, no desespero, para gravar feliz da vida o clipe “November Rain?, do Guns. É o novo!” - ?vila Bessa, em comentário.
Sou bem mais antigo que as duas meninas e só um pouco mais que o Glacial, o que me leva ao tempo em que a MTV era apenas uma referência cult na Bizz e, portanto, muito longe de chegar por aqui; os primeiros discos que ouvi foram os clássicos universais comprados em coleção de banca e em vinil (velho LP), tocados em uma radiola; o computador era um MSX Hotbit de fantásticos 16 kb de RAM, que carregava os programas em fita K7 (para executar um editor de texto simples como o Notepad demorava 40 minutos) e a tela tinha 16 cores - e isso era sensacional; a maior novidade na televisão era o SBT, recém lançado no começo dos anos 80, e o programa infantil por excelência era o Chaves e Chapolin Colorado… inéditos!
Hoje a MTV pega que é uma beleza e leva música - de qualidade ou não não se discute, há vinte anos atrás a discussão era a mesma, toda época tem seus bons e maus - para uma quantidade muito maior de pessoas, fala sobre sexo abertamente, o que seria impossível nos anos 80, respeita a diversidade sexual e mostra para os jovens que ser gay não é uma doença terrível; tem jovens VJs, tem velhos VJs, tem negros e tem brancos.
Computadores… posso ter uma conexão direta com a internet, mais barata que a conexão discada e vinte vezes mais rápida. Posso ver a MTV ou baixar a quantidade de música que eu quiser. Não preciso compactar um arquivo que caiba em um disquete. Na verdade, hoje só faço compactação para criar um arquivo único com vários, porque espaço não é problema. A imagem na minha televisão é tão cristalina quanto o som do meu mp3 player.
Por que mesmo vou sentir algum tipo de saudade por alguma dessas coisas? VJs bons? Cada turma tem o VJ que merece, o pessoal de há dez anos também era uma porcaria, bons mesmos eram os de há vinte. Disquete? Mas nem com muito carinho e amor. UHF? O que diabo é UHF mesmo?














