Um capricho e uma poesia

Eu gostaria de explicar a relação entre a música e a poesia deste post, mas ambas me deixam na esfera do impossível de descrever. Estão enraizadas, fincadas no que não sei.

Link para download Caprice 24, Nicolo Paganini

A música é o Caprice 24, de Paganini; a poesia é Lápide, de Ariano Suassuna.

Lápide

Com tema de Virgílio, o Latino, e de Lino Pedra-Azul, o Sertanejo

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão - Sangue insensato e vagabundo -
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!

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