Sandman: Um Jogo de Você

2006 Julho 26
by Leonardo Fontes

Capa de um Jogo de VocêNo quinto volume de Sandman, publicado pela Conrad, Morfeus pouco aparece, mas é um dos mais delirantes contos da série.

Neste volume, a realidade e o sonhar encontram-se e entrecortam-se constantemente para nos falar do “abrolho de sonho” da personagem Barbie (largada por um Ken, indício de constantes citações a nomes conhecidos), seu delírio de criança e o fim de todo um universo de criaturas e mitologias próprias. Em nenhuma outra história, já nessa metade do caminho para os dez volumes da coleção completa, o sonhar invade a realidade, e vice-versa, de forma tão violenta, alterando diretamente os caminhos e as decisões dos personagens.

De fato, a separação sonho-real, em toda a mitologia de Sandman (ou pelo menos até agora), não existe. A realidade é um subproduto do sonhar, assim como o é dos demais Perpétuos (Desejo, Morte, Desespero, Delírio, Destino), e até agora, excetuando-se os próprios Perpétuos, as entidades que habitam as múltíplas realidades permaneciam em seus domínios, sob o risco de punição na quebra desta regra de separação.

Em “Um Jogo de Você” essa linha aparentemente se rompe e torna possível, por exemplo, um enorme cachorro de pelúcia imaginário fugir do sonho para o real ou corvos, à serviço de um arqui-inimigo chamado Cuco, habitarem a caixa toráxica de um humano. Bruxas, travestis, lésbicas, papagaios, um rato gigante, um Deus chamado Murphy (que remete diretamente à lei da inevitabilidade do erro), uma velha negra, miserável e louca são alguns dos personagens que viajam entre as realidades e formam o “abrolho” que deverá se extingüir sob o manto e nas mãos de Sandman.

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