Enquanto isso, na Sala de Justiça

Enquanto a blogosférica brasileira se depara com mais uma guerra épica (resumo) entre a feia e boba mídia tradicional - isso, claro, se o Bluebus for realmente mídia tradicional, o que não faz o menor sentido - e os fenomenais, audaciosos, lindos e incrivelmente originais blogs tupiniquins, algo de gente grande realmente acontece na internet.

Eduardo “Vader” Azeredo Contra-Ataca

O deputado federal pelo PSDB de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, não é lá o que se pode chamar de uma figura popular nos círculos que defendem a liberdade na internet. Criador do Projeto de Lei Substitutivo ao PL da Câmara nº 89, de 2003, e Projetos de Lei do Senado nº 137, de 2000, e nº 76, de 2000 (já escrevi sobre ele aqui), o deputado defende a criminalização do acesso, exige comportamento de polícia aos provedores, inviabiliza o compartilhamento de arquivos e joga por terra a privacidade dos usuários de internet no país.

A lógica do deputado na verdade é um clássico do pensamento legislativo brasileiro: “não temos como controlar, vamos proibir”, ou, em outra versão, “não temos como controlar, então são todos, a priori, culpados”.

O PL já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, recebeu emendas até a última quinta-feira, 3 de julho, e agora espera a ordem do dia sob regime de urgência, ou seja, em breve você terá uma internet digna de muita República Democrática pertinho de você. Ou, você pode, pelo menos, torrar algumas paciências enviando mensagens para todos os senadores, eis os emails.

A Fabuloso Caso Viacom vs. Youtube

No dia 2 de Julho, o juiz Louis Stanton determinou que o Google deverá entregar à Viacom, como parte de um processo que chega a US$ 1 bi, os registros dos usuários do Youtube incluindo logins e números de IP, em uma ação sem precedentes no mundo livre contra a privacidade dos internautas. Em resumo, a Viacom ficará por dentro de todos os hábitos de audiência e produção no site de vídeos, além de ter em mãos material farto para possíveis novas ações contra o Google e seus usuários. São 4 tera-bytes de dados, que segundo alguns, deveriam ser enviados à Viacom em calhamaços de papel, como um ato de desobediência civil.

Há um provérbio chinês que diz “quando muito a Oriente, já é Ocidente”. É perfeito para representar os tipos de censura na internet. De um lado as ditaduras e autoritarismos de governo e de pensamento, a exemplo dos vindos da China ou do Brasil, este muito bem representado pelos inúmeros Eduardos Azeredos que povoam nossos mecanismos de controle, de outro, no que supomos mundo livre, os interesses corporativos, que em certa medida, também não deixam de ter seus fortes mecanismos de controle e manutenção de estruturas. São tempos interessantes os que vivemos, e enquanto alguns pensam que a internet veio apenas para proporcionar Adsense nos bolsos, as transformações serão bem mais complexas.

Há, agora sim, uma guerra épica não tão silenciosa na web mais complexa que esse simples embate de egos entre blogs e tradicionais, que serve para gerar ruído e não debate sobre o que queremos de liberdade nas nossas vidas digitais. Ou isso vai à berlinda dos que têm poder de causar mobilização e discussão, ou em breve apostaremos em quem será o último a sair e apagar a luz da web como a conhecemos.

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Eu também quero refúgio na Europa

No momento em que escrevo este post, nove palestinos estão nos portões do Alto Comissariado das Nações Unidas Para Refugiados (Acnur) pedindo para sair do Brasil e irem para a Europa. Não suportaram a barra, segundo matéria a Agência Brasil em que você pode ler mais detalhes.

Em resumo, o problema é o seguinte: eles saíram da fronteira entre Iraque, Síria e Jordânia, ou seja, os portais do inferno, para vir ao Brasil pelo programa de proteção do Acnur. Não satisfeitos com o tratamento recebido no Brasil, agora tentam, literalmente, uma recolocação no mundo. Não os culpo, dadas as reclamações:

  • falta de assistência médica;
  • a ajuda de R$ 350 mensais do Acnur não é suficiente para sobreviver;
  • carga horária de 11 horas de trabalho que impede o estudo;

Ok, tudo bem, reclamações justíssimas, não fosse pela promessa da Acnur, plenamente aceita por eles, de que seriam tratados como brasileiros. Eu não sei qual piada é tragicamente maior: se o Acnur vender o Brasil como um paraíso com uma promessa do nível, que soa como uma ironia de péssimo gosto e dá margem a qualquer funcionário mais cara-de-pau soltar um “mas, meu senhor, estamos tratando o senhor como a qualquer brasileiro” e isso ser uma verdade; ou os palestinos comprarem a idéia de sair de um inferno para se meter em outro.

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Hulk é lindo

Eu poderia escrever um longo texto sobre Hulk com cada detalhe do filme, um longo histórico particular sobre cinema, referências e o blá blá blá verborrágico de sempre a dar na canela e na paciência de quem vem por aqui, mas serei mais sintético.

Hulk foi, em anos, a melhor experiência cinematográfica que meu rico dinheirinho (<- mentira, eu entro de graça no cinema) me proporcionou. E será um dos poucos filmes que verei pelo segundo dia consecutivo.

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Quando não muito à direita, muito à esquerda

TSE desiste de impor regras de propaganda a sítios de internet - O Brasil tem visões bem particulares de mundo: o TSE, que antes adotava uma interpretação extremamente conservadora sobre eleições na internet, agora resolveu liberar geral: “É um espaço que não nos cabe ocupar. Deixemos os internautas em paz”, foi o que declarou Carlos Ayres Britto, presidente do tribunal.

O presidente comete o mesmo erro generalista dos críticos mais radicais da internet que pregam que nela tudo é ruim, que é feita por idiotas e criminosos, feia e boba, mas do ponto de vista oposto do não vamos incomodar, a web é terra de ninguém, nem mesmo da lei.

Quando deveríamos estabelecer um momento de dicussão, mesmo que seja apenas um início e que demore anos para um consenso, acabamos por encerrá-la de duas formas: ou proibimos tudo irrestritamente porque “o que não está previsto na lei, está proibido” ou abrimos geral as pernas e tudo é permitido.

Tá, ok, há a promessa de análise caso a caso que é mais que o preto e branco, há a promessa das nuances em cinza, resta ainda a esperança de que o debate nos tribunais ajude-nos a chegar a um legislação mais diretamente voltada para web, mas por enquanto, liberou geral… pode até ser divertido.

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Leitura útil: O futuro dos jornais

A reprodução pela Folha de São Paulo (em link aberto no Observatório da Imprensa) do ensaio de Eric Alterman para a The New Yorker, “OUT OF PRINT - The death and life of the American newspaper“, é uma das mais sintéticas leituras sobre a crise dos jornais norte-americanos no final da primeira década do século.

Embora o cenário brasileiro seja bem diverso, com crescimento relativo como apontado pelos números da Associação Nacional de Jornais, as observações de Alternam sintetizam séculos até chegar aos dias de hoje e é mais que uma mera reflexão sobre o problema específico do jornalismo, é uma análise sobre a democracia, o real plano de fundo dessa “críse de mídia”.

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Teste de streaming no Qik

O Qik é uma grande opção para quem deseja fazer transmissões de vídeo usando um celular. No vídeo do post, realizado na sexta-feira, usei uma conexão sem fio normal e um Nokia N95, a imagem em 320×240 é perfeita.

Existe, claro, um atraso em torno de 15 segundos na conexão, que deve ser maior ou menor de acordo com a velocidade. Com uma 3G estável (coisa que pelo menos em Fortaleza ainda não é uma realidade), é uma ferramenta de primeira para o jornalismo.

O serviço tem ainda um sistema de alerta pelo Twitter e provê uma sala de chat que pode ser colocada em qualquer site para que possíveis espectadores interajam com a transmissão. Me deu idéias.

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Três vídeos chuvosos

Nordestino é bicho besta, não pode ver uma chuvinha que fica todo feliz ou se pelando de medo. O que era incomum em Fortaleza, chuvas repletas de trovões e relâmpagos, parece que está se tornando regra. Em mais uma noite movimentada, cheia de coisa para fazer, aproveitei e gravei cenas com o N95 (que é totalmente meia boca capturando qualquer paisagem com pouca luz).

A propósito, viu um, viu todos, mas o primeiro, do ponto de vista técnico da direção, do contraste claro escuro típico em um noir clássico e da engenharia de som, é mais apurado.

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Bloguecast #2: fumar causa discussão

Desse não participei, os caras iam falar sobre cigarro e eu tô fora. Julio Moraes e Wagner Brito, ambos do Blablaismo (e Julio´s Pub), e Sampson Moreira, do inovaVOX, bateram um papo de 25 minutos sobre as novas imagens do Ministério da Saúde na campanha contra o tabagismo. O podcast tem revelações bombásticas, como a mania do Sampson de morder o canto da boca. Lá no interior do Piauí isso tem nome, mas esse é blog de família e o cratense é sócio, melhor manter a política de boa vizinhança.

Julio Moraes deu uma melhorada considerável na finalização do podcast, que antes era feito por mim, um total leigo em termos de edição de áudio. Melhorou da água para o vinho (ou do vinho para a água, caso você seja desses “abstêmicos”). Para ouvir, vá no Blablaismo ou clique na imagem.

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