No dia 11 de dezembro, Adriano Macedo publicou em seu blog uma entrevista comigo sobre o Marco Civil na Internet. Ao todo foram três conversas pelo Skype (Adriano promete outras), todas sobre o mesmo assunto. Vale tomar um tempo para ouvir também a de Norton Lima Jr e a de Glaydson Lima.
A minha você ouve clicando no ícone abaixo.
Alec Duarte em seu post Busca em tempo real fragiliza o furo lembra uma conversa informal que tivemos durante o Master em Jornalismo Digital Mulimídia quando afirmei que as buscas em tempo real subverteriam a lógica do furo jornalístico, ou seja, nelas, sair na frente não teria a importância que a história do jornalismo delega ao furo.
Percebo o live search apenas como mais um método dentre inúmeros de buscar informação, não substituirá a pesquisa normal do Google nem de outros serviços, foca essencialmente em uma necessidade de acompanhamento constante de um assunto. Mas embora não tenha essa característica, cria uma nova obrigação, principalmente dentro das redações: a de noticiar sempre o mesmo assunto para que o veículo permaneça no fluxo.
Se em um primeiro momento essa subversão do furo premia quem informa por último, em um segundo premia também quem informa frequentemente, com atualizações constantes (as suítes, hipersuítes). Não bastará apenas sair na frente, é necessário dar continuidade. Acredito mesmo que essa nova preocupação pode mudar relações profissionais, tornando a apuração um trabalho mais colaborativo, com equipes mais azeitadas e em constante comunicação entre turnos e setores para que uma notícia não seja exclusiva apenas de um repórter, mas de um veículo bem coordenado.
Em um terceiro, sai premiado quem cobre melhor, não apenas quem cobre primeiro. Não apenas a constância no acompanhamento com as suítes – nada mais que um elemento que indica a qualidade de uma cobertura – torna, por si, o conteúdo mais completo, como o diálogo das redes sociais, sensíveis a este compromisso em perseguir novas informações, manterá o veículo sempre presente no fluxo das pesquisas. É esse o pulo do gato que deve nortear as redações em suas coberturas em um mundo ao vivo: manter-se presente nas bocas, nos Twitters, nos Facebooks, nos Orkuts, nos livestreams. Sair na frente, nesse novo modelo em que são as pessoas que determinam o que é ou não importante em substituição a cálculos complexos de um indexador frio, é o menos importante.
A busca em tempo real, em seu fundamento último, não dá mais importância ao tempo, no fundo ela prioriza o debate.
O Democratas (DEM) é desses partidos políticos em que todo brasileiro pode confiar cegamente, nenhum outro é como ele. Votar no PT, PSDB, PSB, enfim, em qualquer outra legenda, é sempre uma aposta, você nunca sabe o que os caras farão quando no poder. No DEM não, você sabe, com absoluta certeza, que mais cedo ou mais tarde o candidato vai fazer alguma merda.
A entrevista a seguir foi desencavada de um arquivo pessoal quase esquecido. Ariano Suassuna nos recebeu em 1995, na Secretaria de Cultura de Pernambuco, em Recife, para uma conversa longa, que durou cerca de duas horas e meia.
Ela foi realizada durante a cadeira de Jornalismo Impresso, ministrada por Ronaldo Salgado, na Universidade Federal do Ceará. Não lembro ao certo toda a equipe que viajou para a conversa, mas além de mim estavam Janary Júnior, Paulo César Veras, Jarbas Oliveira, Kelly Magalhães, Ariene Parente, Maurício Lima, Lucirene Maciel e o próprio Ronaldo Salgado. Devo estar esquecendo alguém, peço desculpas, mas puxar pela memória onze anos depois é complicado.
Esta conversa deveria ter sido publicada na edição da revista “Entrevista” daquele semestre em 95, mas não foi, portanto, é inédita.